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Limite de vento no Aeroporto da Madeira controlado em terra

Descolagem no Aeroporto da Madeira, a partir da pista 23, a menos usada nestas operações
(foto: Paulo Camacho)
Os limites de ventos no Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo vão estar em cima da mesa na reunião agendada para amanhã. Segundo o maior site de aviação da lusofonia, o Newsavia, a Autoridade Nacional de Aviação Civil de Portugal (ANAC) convocou a reunião com um grupo multidisciplinar, formado por técnicos de diversas entidades, que irá analisar as últimas ocorrências meteorológicas na zona do Aeroporto da Madeira.

Em resultado desta análise e do histórico de frequência com que estes fenómenos estão a acontecer, levando ao cancelamento e desvio de voos cada vez com maior frequência, a ANAC irá pronunciar-se acerca de eventual levantamento dos limites de vento permitidos para uma aterragem segura na Madeira.
Na realidade, o aeroporto madeirense sofre, em alguns dias do ano, os efeitos mais intensos de ventos fortes e cruzados sobre a pista de aterragem, devido a estar construído numa zona litoral dominada por uma montanha. Por isso mesmo, as companhias aéreas comerciais são obrigadas a ter comandantes com certificação especial no aeroporto. Uma certificação que pode ser obtida em simulador, e após várias aterragens na ilha, no lugar de co-piloto do avião.
Atente-se que muitos comandantes evitam aterrar na Madeira excedendo os limites recomendados porque, se assim acontecer, a torre de controlo é obrigada a reportar à autoridade aeronáutica nacional.
O ‘Newsavia’ refere que muito antes do Governo Regional ter abordado a questão, já a Associação Portuguesa dos Pilotos de Linha Aérea, a ANA Aeroportos, o ex-INAC (atual ANAC), o Instituto Superior Técnico de Lisboa e o Instituto do Mar e da Atmosfera, tinham estabelecido contatos com vista à análise e debate da situação. Contudo, afirma que nunca ocorreu uma reunião formal entre as entidades.
Mais afirma que algumas companhias e pilotos queixam-se que os limites de vento que definem a operacionalidade do aeroporto podem ser aumentados, pois continuam os mesmos de quando a pista tinha 1.600 metros de extensão, quando hoje tem 2.780 metros. Fizeram-se alguns ajustes, nas duas extensões da pista, adequando às novas extensões da área útil de aterragem, mas pouco modificaram os existentes.

Decisão deve ser do piloto

O piloto com mais movimentos no Aeroporto da Madeira, Timóteo Costa, com mais de 9.000 aterragens neste aeroporto, disse à RTP Madeira que rever os limites dos ventos, era evitar situações como as aconteceram recentemente.
Reconheceu que todos os aeroportos têm as suas especificidades, e sublinhou que não acredita que nenhum comandante tenha encontrado noutros aeroportos ventos cruzados ou com um “windshear” semelhantes aos que acontecem na Madeira. Windshear, entenda-se, é um fenómeno meteorológico que pode ser definido como uma rápida variação de corrente no vento, uma rápida variação na direção e/ou na velocidade do vento ao longo de uma dada distância.
Timóteo Costa complementou que existem outros aeroportos nacionais com condições semelhantes às da Madeira ou “piores”, como os açorianos da Horta, da Terceira e do Pico, os quais referiu não terem qualquer limitação.
O piloto madeirense, com 26 mil horas de voo, deixou claro que há muito defende que não devem existir limites como refere acontecer 90 e muito por cento dos aeroportos de todo o mundo. “Compete ao comandante tomar a decisão se está em condições de aterrar ou não”, realçou.
Nas 9 mil aterragens apenas teve de abortar uma delas na Madeira. No entanto, devido às limitações, disse que algumas vezes divergiu para o Porto Santo, para as ilhas Canárias ou regressou a Lisboa.
Neste âmbito, partilho um vídeo referente ao aeroporto inglês de Birmingham, onde as condições de operação, por vezes, como na altura em que foram recolhidas estas belas imagens, são bem mais adversas que na Madeira e os aparelhos aterram e descolam empurrados pelo vento de forma muito acentuada.


Esta segunda-feira, o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, deslocou-se ao Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo, para avaliar a situação dos passageiros retidos por causa do vento forte que se fez sentir desde sexta-feira. Uma adversidade que levou ao cancelamento de mais de 100 voos e afetou cerca de 15 mil pessoas. Foi nesse mesmo dia que Eduardo Jesus admitiu que o executivo madeirense já agiu no sentido de ser revisto o limite da velocidade do vento na zona do aeroporto, que, segundo disse, estar estabelecido desde 1976.
O Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo está certificado para a aterragem de aviões comerciais até a envergadura do Boeing 747 e do Airbus A340.

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