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A marca a construir deve representar uma identidade clara

O presidente do Secretariado Regional da Madeira da Ordem dos Economistas considera que o manual de utilização da Marca Madeira lhe parece um instrumento "absolutamente fundamental para que possamos comunicar com balizas e, sobretudo, de forma coerente e com o mínimo de ruído”.

André Barreto, que falava na sessão de abertura da 11.ª Conferência Anual do Turismo que esta sexta-feira decorreu no Funchal e que teve como tema: “Marcas”, acentuou que para quem em tempos trabalhou com uma marca que “era válida para uns mercados e outra que se utilizava noutros este é um salto qualitativo extraordinário que deve ser valorizado”.
Sublinhou que pode parecer pouco importante mas “é nos detalhes que seremos capazes de fazer a diferença, sobretudo se o que pretendemos e comunicar de forma consistente e coerente. Não só no antes mas igualmente no durante e no depois da experiência”.
Em matéria de marcas, acentuou que “somos o que somos e devemos orgulhar-nos disso”. Complementou que a marca que devemos querer construir “deve representar essa identidade clara, embalada numa representação simbólica que seja atrativa, duradoura e que, sobretudo, faça o tal clique imediato sempre que é vista”.
Quanto à atual Marca Madeira, perguntou: “quem de entre vós não pensou já na semelhança que existe entre esta e a de uma prestigiada instituição bancária”, embora frisasse bem que a Marca Madeira não se resume ao logótipo ou à forma como este é aplicado.

Não quis deixar de realçar a melhoria introduzida pela equipa da AP Madeira no conjunto de elementos utilizados, sejam eles vídeos, imagens ou códigos de cores. “Mas atenção, há muito caminho ainda a percorrer”, lembrou complementando que “é por isso que, nisto como noutros assuntos, não podemos deixar andar só porque está a correr bem e, sobretudo, devemos ter a capacidade de actuar nestas alturas. E eu sei que existe essa perceção, nem que seja pelo que julgo saber ser um processo que actualmente está a decorrer, de concurso para a elaboração da nova marca Madeira”.
Num longo e incisivo discurso, escrito com uma mestria que congelou o tempo, André Barreto evidenciou que em matéria de marketing, “se pretendemos estabelecer uma comunicação séria e honesta, teremos de ter a capacidade de compatibilizar a imagem do destino verde e azul com as flores e as levadas e laurissilva com as construções gigantescas de cimento no centro da zona turística e hoteleira que, ao contrário do que se afirma, não se limitam a repor camas anteriormente desaparecidas mas acrescentam oferta de quartos ao destino”.

Pedreiros a servir à mesa

Em relação aos recursos humanos, afirma que se coloca a questão de saber onde estão assim como saber da capacidade formativa para transmitir conhecimento técnico aos novos colaboradores do setor. “Não quero acreditar que um destino que vota em si próprio como excelente vai agora recrutar pedreiros para servir à mesa ou agricultoras para cozinhar refeições”, sublinhou.
Além disso, disse não querer acreditar que a solução passe pela proliferação de regimes do tipo all inclusive, “onde buffets de esparguete à bolonhesa ou saladas de milho enlatadas acompanhadas por vinho de tampa de plástico servido em jarro ficam permanentemente ao dispor dos que, durante todo o dia, padecem de insaciáveis apetites”.
Ou, em alternativa, “que se queira o modelo room only, sem mais nada na unidade que não seja o quarto, tudo feito através de um smartphone e sem interação humana”. Nestes quadros questiona: “O que seria e que impacto teria para o nosso comércio, para o negócio da restauração e bebidas fora dos hotéis, para as nossas indústrias tradicionais, se o caminho for este?”.
Neste âmbito evidenciou que esta opção “não é do Senhor Governo mas nossa, dos empresários do sector, que podiam ter uma visão mais ampla e sobretudo menos imediatista dos resultados que pretendem muito legitimamente alcançar”.

Valorizar os dados

O presidente do Secretariado Regional da Madeira da Ordem dos Economistas elogiou o trabalho que a Direcção Regional de Estatísticas tem feito na divulgação dados em tempo mais útil.
No entanto, considerando-se um eterno insatisfeito, referiu que continua a defender “um modelo de reporte de informação diferente, potenciando o que a tecnologia hoje nos permite fazer e que inclusivamente já existe noutras indústrias”.
Contudo, disse que “há que saber, no entanto, valorizar convenientemente estes dados e quem se preocupa em, atempadamente, os fornecer, numa lógica exactamente ao contrário da que sempre se propõe, de castigo aos infratores em vez do benefício aos cumpridores. Porque não alterar esta lógica, que a todos beneficiaria?”.
A este nível evidenciou a “absoluta necessidade de dotar o Observatório de Turismo de meios
adequados e suficientes para que possa produzir conhecimento que seja valorizado pelo sector e que possa ajudar nas pesquisas e análise do ambiente que nos rodeia”. E referiu ainda que a Conta Satélite de Turismo “deve ser uma prioridade e não pode ser menosprezada a sua real importância para todos quantos pretendem ter uma atuação mais incisiva e qualificada, assim como a informação mais geral sobre economia regional”.

Massacre na venda de time-sharing e com os angariadores de rua

Houve tempo ainda para André Barreto dizer que não suporta mais aquilo que entende ser “o verdadeiro massacre que se faz ao turista por parte dos vendedores de time-sharing, os angariadores de rua, de restaurantes, excursões, passeios a pé, lojas de artesanato, safaris, voltas de barco e sei lá eu mais o quê que, a cada dois passos, lá se dirige ao desgraçado a tentar enfiar-Ihe uma ou várias destas alternativas”. André Barreto falava na sessão de abertura da 11.ª Conferência Anual do Turismo que hoje decorre no Funchal e que tem como tema: “Marcas”.

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