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Mérito do piloto Janica Clemente deveria ser perpetuado

O Janica (à direita) e Miguel de Sousa. Esta era a fotografia que tinha no seu perfil no Facebook
O Janica acaba de fazer a última classificativa de um rali que não queria participar mas que se viu forçado a seguir pelas vicissitudes da vida. Na realidade um problema de saúde havia arredado da vivência normal diária o antigo piloto de ralis, que haveria de ser o primeiro piloto madeirense a ganhar o Rali Vinho Madeira depois do 25 de abril de 1974.

por Paulo Camacho

Aliás, foi o primeiro vencedor da democracia visto que no ano da “Revolução dos Cravos” não houve prova. Antes do Janica Clemente vencer em 1975, outro madeirense, o também saudoso Zeca Cunha, foi o primeiro a ganhar a prova em 1965. Mas o Janica era o Janica, único no seu tempo.

Recordo o Janica do seu casamento com a Clara, ou a Clarinha para os mais chegados, e do filho de ambos, o Ricardo, pessoas que sempre acarinhei muito. E lembro o piloto dos ralis, de uma altura em que poucos madeirenses se evidenciavam. Só mesmo os bons conseguiam sobressair entre os seus pares e os que chegavam de fora, mesmo do País, com outras máquinas. O Janica era um deles. Além de grande piloto, adorava conduzir e gostava da vida e irradiava sempre simpatia e um sorriso nos lábios.

Naquele ano que ganhou a prova, tripulava um Ford Escort 1600-RS. Tinha como co-piloto Miguel de Sousa, hoje vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira e presidente da Empresa de Cervejas da Madeira. Aqueles carros eram umas grandes bombas que não deixavam ninguém indiferente, sobretudo quem os via em corrida com constantes sobreviragens nas curvas.

O Janica venceu o rali não dando tréguas ao piloto português António Borges, ex-campeão Nacional de Ralis e 5.º Campeonato da Europa de 1974, que teve de se contentar com o segundo lugar, ao volante de um Opel 1904-SR, com mais de 40 cavalos que o Escort do Janica.

Considero que a Madeira fez pouco, para não dizer muito pouco ou nada pelo Janica. Para as gerações mais novas, mesmo aficionadas dos ralis, admito que o seu nome diga pouco quando deveria dizer muito.

Agora, por muito que façam, o Janica não estará por cá para vivenciar. Mas nunca será tarde perpetuar o seu nome pelo que fez e igualmente para lembrar as gerações mais recentes e para as vindouras. Aliás, esta deveria ser uma preocupação com os madeirenses que se evidenciam.
Desconheço qualquer estátua ou busto do antigo campeão e não seria pedir muito que o seu nome fosse dado a uma avenida ou rua do Funchal. Por exemplo, a Avenida Sá Carneiro não faz sentido que tenha o nome do antigo primeiro-ministro português. Bem que poderia ter o nome de Avenida Janica Clemente.

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