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Quinta das Cruzes fecha para obras na arcaria feita pelos Lomelino

A fotografia do museu tem alguns anos. Algumas destas árvores já não existem. Mas dá para ver a arcaria
📷  Paulo Camacho  📷

O Museu da Quinta das Cruzes, no Funchal, e respetiva área ajardinada passa a estar encerrado ao público devido à realização de obras de consolidação estrutural do corpo sul do edifício principal, nomeadamente da arcaria do século XVII.

por Paulo Camacho

A Direção Regional da Cultura não refere a data de reabertura ficando apenas adianta que “será divulgada oportunamente”.
Oficialmente aberto ao público a 28 de Maio de 1953 sob a denominação de Casa-Museu “César Gomes”¸ o Museu Quinta das Cruzes foi constituído com base na doação do ourives César Filipe Gomes, ao que se seguiu o legado do colecionador João Wetzler e diversas aquisições que formam, no seu conjunto, um percurso através da evolução das Artes Decorativas, bem como da história da Madeira.
O museu integra a Rede Portuguesa de Museus desde 2002 e encontra-se no edifício cujas memórias se cruzam com a vida e a história do Funchal.

Residência de Zarco

Última residência de João Gonçalves Zarco, “descobridor” da Madeira, a quinta representa mais de 500 anos da história da Ilha. Foi ampliada pelo seu filho, João Gonçalves da Câmara. Permaneceu como residência da família Câmara até ao século XVII, altura em que entra na posse da família madeirense Lomelino, cuja origem recua a Urbano Lomelino, comerciante de origem genovesa, cuja presença na Ilha é datada de 1476.

As obras dos Lomelino

Ao longo da permanência da família Lomelino, a Quinta das Cruzes sofreu grandes alterações, nomeadamente com a construção da arcaria da fachada principal que agora vai ser intervencionada, a edificação da Capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade e, posteriormente, o corpo predominante do edifício principal.
Este espaço permaneceu como residência dos Lomelino durante cerca de 200 anos, até ao final do século XIX, altura em que os jardins já adquiriram o aspecto que ainda hoje se pode observar.
No século XX, a moradia foi sujeita a várias vicissitudes, resultado de novas funcionalidades e formas de ocupação, e reflexo também de importantes transformações económicas da sociedade insular. Neste âmbito, foi sede da Banda Filarmónica do Funchal (1929-33), consultório médico e fábrica de bordados (1945-48?), indústria relacionada com a família Miguéis, a última proprietária da Quinta das Cruzes.

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