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Opinião: Extreme Sailing Series valorizam oferta da Madeira

A cidade do Funchal voltou a ser palco este ano de mais uma etapa das corridas estonteantes dos barcos à vela GC32, mais conhecidos pelos “Fórmula 1” dos mares, devido à velocidade que atingem, mesmo com condições de vento menos favoráveis.

por: Paulo Camacho


Foi o segundo ano consecutivo que a Madeira acolheu a prova internacional das Extreme Sailing Series, depois de em 2016 ter substituído a etapa da instável Turquia.
Confesso que no primeiro ano, apesar de ter estado uma ou duas vez no Cais 8 a ver partes da prova, não achei muita piada. Em primeiro lugar por não perceber a mecânica das regatas ali mesmo à minha frente (como quem está num estádio de futebol a ver as equipas a jogarem de um lado para outro) sem que tivesse de sair do lugar escolhido para assistir.
E, em segundo lugar, por não ser um grande aficionado da vela, apesar de gostar de ver as grandes provas à volta do mundo.
Por isso mesmo, considerei que talvez não tivesse sido boa ideia terem investido milhares de euros para trazer a prova para a capital madeirense.

Este ano, a minha perceção do valor das Extreme Sailing Series mudou completamente. Por estar mais ligado a toda a envolvente que torna possível aos velozes barcos à vela dirimirem forças no mar percebi o potencial da Madeira ter uma prova desta natureza que está longe de ser elitista. Por enquanto, para muitos, ainda será desconhecida. E, nestes casos, temos mais dificuldade em valorizar o seu potencial.

Conhecer por dentro

Neste trabalho que me aproximou da realidade dos GC32, conheci skippers, velejadores, preparadores dos barcos e managers das equipas. Apesar da tecnicidade que têm de estar capacitados para corresponderem às exigências das provas, são todos pessoas acessíveis, sem peneiras nem manias de grandeza, o que faz das ESS ainda mais valorizadas. Mas tudo isto não está escondido. Todos os trabalhos de preparação dos barcos, que chegam dentro de contentores desmontados e que partem igualmente às peças, podem ser vistos de muito perto, e de forma gratuita, em São Lázaro, onde as equipas se instalaram e não se cansaram de elogiar as condições ímpares que encontraram na Madeira.

Assim, fiquei com maior desejo de ver este ano as provas mesmo aqui à frente do Cais 8 e da Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses. Umas vezes vi sentado nas bancadas da Racing Village, sem ter que pagar nada, e outras vi de casa, igualmente sentado. De muitas casas deste imenso anfiteatro que particulariza a cidade do Funchal isso é possível. Uns mais perto, como foi o meu caso, e outros nem tanto.

E naqueles dias, familiarizei-me com as regatas curtas, que decorriam nas tardes da 3.ª etapa das Extreme Sailing Series, ao ponto de no dia seguinte ao fim da prova, olhava de casa para o mar, e sentia um vazio do tamanho do mundo. Naquele espaço à entrada do Porto do Funchal faltava a vida pujante dos dias de provas.

O impacto da prova

Hoje ainda há quem critique a realização destas provas e, sobretudo, os gastos que se fazem para que aconteçam no mar do Funchal. A prova tem um custo estimado em redor dos 250 mil euros. No entanto, se não analisarmos este valor como uma despesa e sim o contextualizarmos como a parte de um todo, depressa poderemos chegar à conclusão que será mais um investimento que se traduz num retorno na casa dos nove milhões de euros, tal é a cobertura mediática do evento em todo o mundo, não só da prova em si como da sua envolvente, onde são evidentes as reportagens referentes ao destino Madeira, onde nem a publicidade direta teria o impacto que traduz.
A título de exemplo, cerca de 15 dias depois de terminar a prova madeirense, as ESS e a Madeira tinham sido razão para uma publicação superior a cinco centenas de notícias nas mais diversas plataformas media em todo o mundo.
Por outro lado, uma pesquisa simples no Google com as palavras “extreme sailing series madeira”, permite ver que em menos de um segundo temos 260 mil resultados para pesquisar.

Elogiar a visão

Assim sendo, não posso deixar de enaltecer a aposta do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, em criar condições para que a prova se tenha realizado na Madeira e que, tendencialmente volte à ilha em 2018. E parabéns igualmente a Sérgio Jesus, presidente da Associação Regional de Vela da Madeira, que abraçou a oportunidade de ter no Funchal uma prova desta grandeza internacional.

A Madeira não deve ser apenas um destino conhecido pela sua beleza natural onde sobressaem os trilhos encantados que serpenteiam as serras. Nem somente um destino seguro, com excelentes infra-estruturas hoteleiras e grandes spots para serem vividos e onde as suas gentes recebem os visitantes de forma afável. Há também um imenso mar ainda com grande potencial para explorar, onde a aposta nas Extreme Sailing Series é uma das vertentes.

Se tiver interesse, pode consultar um relatório feito recentemente acerca do impacto da prova na ilha da Madeira. Clique para ver aqui neste link.

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