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Golden Gate encanta Funchal

O novo Golden Gate
(foto: Paulo Camacho)
O Golden Gate reabriu, depois de meses de trabalho. Trouxe à cidade do Funchal um Grand Café moderno alicerçado nos apontamentos históricos que remontam ao ano de abertura em 1841. A capital da ilha da Madeira ficou mais rica com este café e restaurante situa na esquina entre as avenidas Zarco e Arrriaga, sensivelmente à mesma distância do cais da cidade e da catedral.

O espaço emblemático estava fechado desde agosto de 2014 devido à insolvência da sociedade que o explorava, a Santolido. Trabalhavam ali então cerca de 30 pessoas.
Mas ganhou nova vida quando o madeirense Dionísio Sousa, através da empresa Gold Medal, o adquiriu em hasta pública em 22 de novembro de 2016. O empresário com interesses na Venezuela e igualmente na Madeira, pagou 4,7 milhões de euros pelo Golden Gate, numa operação conduzida pelo Governo Regional, através da Direção Regional do Património e de Gestão dos Serviços Partilhados, após entendimento com o proprietário, o banco Millennium BCP. Metade estava nas mãos do executivo madeirense, e a outra metade, estava nas mãos da instituição bancária. A este montante, o comprador teve de adicionar mais o valor do imposto de selo e do IMT, perfazendo cerca de 5,3 milhões de euros.
O valor base de licitação era de 2 milhões de euros.
Além do valor monetário, ficou estipulado no caderno de encargos que o novo proprietário não pode dar outro uso ao Golden senão o de restauração.

História

Depois das obras, o espaço foi redimensionado e passou a empregar 70 profissionais.
O Golden Gate foi inaugurado no dia 1 de julho, Dia da Região Autónoma da Madeira e reabriu as portas ao público no dia seguinte.
Dionísio Sousa terá mesmo confidenciado há mais tempo ser um orgulho poder contribuir para a preservação de tão importante património regional.
O Golden Gate está instalado num edifício do século XIX, onde chegou a existir um pequeno hotel com mesmo nome. É a fração D do edifício Golden Gate, com rés-do-chão, 1.º andar e cave.
No entanto, nas décadas de 70 e 80, onde hoje está o café, encontrava-se o Banco Português do Atlântico, que viria a ser comprado pelo BCP.
O Golden funcionava no primeiro andar, com acesso onde hoje, se bem recordo, está hoje a agência de viagens Top Atlântico. Era assim desde meados do século XX. O acesso era feito através de uma longa escadaria em mármore.
Mais tarde, em 1998, com a aposta dos anteriores proprietários, o grupo Regency Hotels & Resorts, o café deixou aquele espaço e passou a ocupar, além da área superior, o rés-do-chão, depois de obras profundas. A intenção da remodelação, feita sob a orientação pelo arquitecto Diogo Lima de Mayer, foi a de recriar o esplendor de outros tempos, que se inspirou no estilo madeirense do século anterior e dos início do século XX.
Inicialmente, quando surgiu, ainda no século XIX, estava apenas no rés-do-chão, com esplanada. Servia de apoio à unidade hoteleira com o mesmo nome.
Nos séculos XIX e XX, o Golden era um café reservado a uma certa elite, mas há muito que deixou de o ser e é frequentado por toda a gente, sem barreiras sociais.

A esquina do mundo

Deixei propositadamente para o fim, as ligações figurativas com que o Golden Gate é hoje igualmente conhecido. Na realidade, o Golden Gate Grand Café, após a publicação do romance Eternidade, de Ferreira de Castro, em 1933, ficou conhecido como "A esquina do mundo", embora possa haver aqui algum exagero, mesmo sabendo do intenso movimento de pessoas que havia na primeira metade do século XX, com o grande movimento de navios, para os quais, os acessos em pequenas lanchas se faziam a partir do cais, a escassas centenas de metros, em linha recta, do Golden. Conhecedor profundo e encantado pela ilha da Madeira, escreveu: «Aquele ângulo do Funchal era entre as esquinas do Mundo, uma das mais dobradas pelo espírito cosmopolita do século. Em viagem de recreio ou em trânsito para as Áfricas e Américas, davam volta ao cunhal do Golden Gate diariamente, homens e mulheres de numerosas raças, a passo vagaroso, o nariz no ar, as mãos carregadas de cestos, de garrafas, e de bordados da Madeira». Nesta frase, o autor diz que era das “esquinas do Mundo, uma das mais dobradas”, não propriamente a mais dobrada.

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