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Novo hospital a construir em 5 anos espera financiamento

A Madeira vai ter um novo hospital. Dado como certo em anteriores governos, o projeto acabou por ficar na gaveta quando a Região Autónoma da Madeira, além de incluída no garrote financeiro nacional, foi obrigada a pedir assistência financeira só para os madeirenses de um mesmo Portugal.
Neste momento, todos os passos estão ser dados para que, até ao final do ano, o Governo Regional da Madeira possa estar em condições de lançar o concurso público internacional.  

Acontecerá depois das fases de revisão do programa funcional e anteprojeto finalizadas em 2016, sendo que decorre neste momento a fase de projeto, que deverá ficar concluída até ao verão.
Não obstante, a deputada social-democrata na Assembleia da República, Sara Madruga da Costa, revelou este mês que o financiamento para a nova unidade hospital continua sem garantias por parte do Estado.
Segundo aquela parlamentar, eleita pela Madeira, o Ministro da Saúde, voltou “a não se comprometer com o financiamento do novo Hospital da Madeira e com o início do processo de cofinanciamento, solicitado pelo Governo Regional no início deste ano”.
A deputada madeirense disse ter questionado no Parlamento nacional o Ministro da Saúde, acerca da data de início do processo de cofinanciamento do novo hospital do Funchal, e insiste na crítica de que o Governo Regional, “ao contrário do Governo da República, tudo tem feito para que o novo Hospital da Madeira seja uma realidade tendo por isso consagrado uma verba no orçamento regional e apresentado o projeto de arquitetura da nova infraestrutura”.
“Passado mais de um ano desde que o primeiro-ministro assumiu o compromisso da construção do novo hospital da Madeira, ainda não foi consagrada nenhuma verba por parte da república para a sua construção. O novo hospital da Madeira, já tem maquete, já tem plantas mas permanece sem garantia de financiamento por parte da república”, sublinhou.


Sara Madruga recorda ter o executivo de Miguel Albuquerque solicitado no início deste ano o “início do procedimento de modo a que o concurso público internacional para a construção do novo hospital da Madeira, possa ainda ocorrer em 2017, mas o governo da república continua sem responder”.
A futura unidade hospitalar está concebida para responder às necessidades demográficas e respetivos cuidados de saúde, com uma forte aposta na cirurgia do ambulatório e na gestão integral de camas, diminuindo a área de construção, sem que seja reduzida qualquer área  clínica.
O novo hospital terá 550 camas com possibilidade de expansão às 590 e 1.100 lugares de estacionamento. O projeto de construção da nova unidade hospitalar, a erguer em Santa Rita, no Funchal, está orçado em 340 milhões de euros (valor com IVA, equipamentos hospitalares,  expropriações, entre outros itens), dos quais, 195 milhões de euros são para a construção. Tem um prazo de execução previsto de cinco anos.
O Governo Regional já teve oportunidade de referir que os custos de construção (sem IVA, sem equipamentos hospitalares e sem expropriações) do hospital da Madeira é inferior aos que estão previstos para o continente, nomeadamente o Hospital Oriental de Lisboa, orçado em 346 milhões de euros, para um total de camas de 825, o que representa um custo por cama de 419 mil euros, e o de Évora, orçado em 167 milhões de euros, para 351 camas, o que representa um custo de 475 mil euros por cama.
Em contraponto, o executivo madeirense sublinha que o custo do hospital madeirense é de 195 milhões de euros, para 558 camas, o que equivale a 349 mil euros por cama. “O número de camas do hospital da Madeira apresenta o mais baixo custo por cama”, frisou o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, com a tutela das obras públicas, Sérgio Marques.
Atente-se que, no Orçamento Regional para este ano e como o Orçamento nacional não previa quaisquer montantes, foram incluídos 2,5 milhões de euros para avançar com as expropriações dos terrenos de Santa Rita.

Como será o novo hospital

Em linhas gerais a nova unidade estará  organizado por departamentos: Medicina, Cirurgia, Saúde da Mulher e da Criança, Saúde Mental.
Ao nível dos serviços de apoio logístico haverá uma melhor concentração que produzirá ganhos económicos e de produtividade da estrutura.
A área de construção é de 170 mil m2 implantado num terreno de 17 mil m2, com grandes zonas de espaços verdes, garantido anel de segurança e áreas de expansão de construção, de modo a permitir  a expansão vertical.
O projeto cria circuitos próprios para os doentes internos, profissionais de saúde, doentes externos e visitantes, agilizando a circulação e evitando cruzamentos.
Vai ser criado o pólo oncológico onde ficará também a Radioterapia e Medicina Nuclear.
Na apresentação geral do projeto, que decorreu recentemente na biblioteca do Hospital Dr. Nélio Mendonça, o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, teve oportunidade de acentuar os ganhos em saúde que a nova unidade hospitalar vai trazer para a Região. E afirmou que o novo hospital “é de interesse comum, é de todos, é de todos os madeirenses, mas é também de todos os portugueses e daqueles que nos visitam”.
O governante deixou a garantia que o novo hospital vai ser uma realidade, considerando que este investimento vai permitir “mais ganhos em saúde, pois vai possibilitar maior concentração de recursos, melhor gestão, menos despesa, mais eficiência, mais tecnologia, mais segurança e qualidade ou seja mais e melhor resposta”.
Para a construção do novo hospital o Governo madeirense pretendia uma comparticipação de 80% do Estado, tendo o atual Governo da República assumido o compromisso de assegurar metade do investimento, não estando ainda definida a forma de financiamento.
A Madeira dispõe de dois hospitais, sendo o mais recente, o Dr. Nélio Mendonça. Com uma localização central, foi inaugurado em 1973, mas já contou com algumas remodelações e ampliações.
A outra unidade, o Hospital dos Marmeleiros, fica no Monte, mais norte da encosta da cidade do Funchal. Foi construído no início do século XX e apresentação sinais de degradação.

Em relação ao atual hospital, tudo indica que será vendido.

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