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Gestora da Google diz que Madeira tem aproveitado oportunidades daInternet

Leonor de L'Hermité
(foto: Ordem dos Economistas)
“Queria dar os parabéns ao Turismo da Madeira porque desde há três anos tem aproveitado a oportunidade”. Quem o disse no Funchal esta sexta-feira foi Leonor de L'Hermité, da Google Portugal, referindo-se ao facto do Turismo da Madeira aproveitar o 'Holidays Blues' britânico, a altura ideal em que os ingleses planeiam as sua férias e que acontece no primeiro dia útil de trabalho depois das férias e na passagem de ano.
A gestora falava no Centro de Congressos da Madeira, durante a 10.ª Conferência Anual do Turismo, organizada pela Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas, que este ano teve como tema “Pessoas”.
Leonor de L'Hermité disse que no primeiro dia de cada ano, a página do youtube fica cheia de imagens e anúncios da Madeira, que constituem um convite para vir à ilha. E, ao desmontar mais esta questão, referiu que, segundo os dados da Google, em dois dias, em Inglaterra, em 2014, “houve 17 milhões de pessoas a ver os anúncios. É interessante ver o impacto que teve nas pesquisas, porque as pessoas veem o anúncio e muitas vezes reagem”.
Ao falar do tema “A tecnologia como fator de aproximação ao cliente”, Leonor de L'Hermité lembrou que o turista de hoje vive para o digital e procura maior utilidade digital. Alicerçou esta realidade ao referir que até 2020 cerca de 25 biliões de dispositivos vão estar ligados ao digital. Por isso, não causa espanto quando diz que a maioria dos turistas procuram os hotéis e viagens pela internet.
Reforçou o valor do digital logo na pesquisa. Exemplificou que quando alguém escreve “férias na Madeira” no motor de busca não sobram dúvidas que pesquisa informação acerca de férias na Madeira. “Há uma curiosidade e um princípio de intenção”, acentuou.
No entanto, evidenciou que na internet existem muitos pontos de contacto e solicitações pelo que um destino turístico como a Madeira, para estar no topo, na mente do viajante na altura da decisão, tem necessidade de se envolver com eles.
Embora tenha puxado um pouco ‘a brasa à sua sardinha’, Leonor de L'Hermité não desviou a sua mensagem de que o turista de hoje vive online. E, nesse pressuposto, “procura e explora cada vez mais através do digital” que sublinha ser a principal fonte de informação”.

André Barreto
(foto: Ordem dos Economistas)

Presidente da delegação regional da Ordem dos Economistas
"A maior valia do destino Madeira são as pessoas"
Não obstante este reconhecimento de que a Madeira está a trabalhar bem com o mercado britânico, algum tempo antes, na abertura da conferência, o presidente da delegação regional da Madeira da Ordem dos Economistas, André Barreto, chamou à atenção dos indicadores do setor do turismo na Madeira, que tanto são enaltecidos pelo Governo Regional da Madeira. Disse claramente que os bons números “são potencialmente embriagantes” pelo que defende que há que estar atento a desafios e ameaças.
Falou de uma nova concorrência, com novos destinos no mercado e evidenciou a necessidade de estar atento às preferências dos clientes. Daí ter defendido uma maior utilização das novas tecnologias no setor.
Por outro lado, disse ser importante superar as expetativas de cada cliente que “honra a Madeira com a sua visita”. Daí ter afirmado ser necessário oferecer aos turistas algo que “tenha significado, personalidade”. Neste âmbito, afirmou que a maior valia do destino Madeira são as pessoas, os habitantes, “o que nos faz diferentes, únicos, genuínos e irrepetíveis e impossíveis de copiar".
André Barreto falou ainda de investimentos desajustados no setor que diz poderem vir a representar desequilíbrios e criticou igualmente a legislação laboral, que considera desfasada no tempo.

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque
(foto: Ordem dos Economistas)

Presidente do Governo Regional

"É preciso consolidar e melhorar o destino"
O presidente do Governo Regional também falou na abertura da conferência. Miguel Albuquerque referiu que as perspetivas são boas e evidenciou que o executivo vai continuar a apostar na qualidade e não na quantidade e também na consolidação do destino. Disse claramente que a Madeira não vai começar a aumentar o número de quartos de “forma desmesurada".
O governante reforçaria as palavras de André Barreto acerca dos números do Turismo na Madeira em 2015. Acentuou que apesar do ano passado ter sido um ano turístico recorde para a Madeira com mais de 6,6 milhões de dormidas, mais de 1,2 milhões de turistas e mais de 321 milhões de euros de receitas, a região tem que ter cautela e “tem que ter os pés bem assentes no chão”. Por isso, afirmou ser preciso consolidar e melhorar o destino, “melhorando aquilo que é nosso e aquilo que vendemos que é o património natural e edificado, a simpatia, o serviço, a beleza natural, aquilo que é a nossa riqueza e singularidade e a cultura”.

Luís Araújo, à direita na imagem
(foto: Ordem dos Economistas)

Presidente do Turismo de Portugal
"Não há turismo sem pessoas"
O presidente do Turismo de Portugal, madeirense, igualmente presente, disse não haver turismo sem pessoas pelo considera determinante para o sucesso da atividade turística a capacidade de bem receber e a interação entre as diversas vertentes da oferta e da procura.
Por isso, Luís Araújo adiantou que a nova estratégia para as 12 escolas de turismo administradas pelo Turismo de Portugal, passa por serem centros de arte portuguesa de bem receber, “valorizando mais o fator humano do que o técnico”.

O secretário regional da Economia, Tiurismo e Cultura
(foto: Ordem dos Economistas)

Secretário regional do Turismo
"O Turismo é feito por pessoas, para pessoas, através de pessoas”
O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura falou na sessão de encerramento da Conferência Anual de Turismo, que lançou quando presidia à delegação regional. Eduardo Jesus sublinhou que muito mais do que os ativos que temos e colocamos ao dispor do turismo, “é a forma como nós os respeitamos, como oferecemos e mantemos. Muito mais do que a tecnologia que suporta o destino, é a forma como se transmite, como se organiza também a oferta e como se gere a expetativa daqueles que nos procuram e procuram também as pessoas”.
Acentuou que esta é a indústria mais humanizada que existe. “As pessoas são a procura e são também a oferta do próprio negócio. O turismo tem esta particularidade: é feito por pessoas, para pessoas, através de pessoas”, afirmou.

Pablo Caspers
"Tratar cada cliente de maneira diferente"
Pablo Caspers, da eDreams, apresentou o tema “Vender ou ser vendido”. Deixou claro que é imperioso tratar cada cliente de maneira diferente pelo considera que os hotéis e agentes de viagens “devem oferecer coisas diferentes. Mas isso nem sempre acontece com os anúncios online e a digitalização".
Evidenciou que o que faz o cliente voltar é a personalização do serviço. E para espelhar melhor as suas palavras contou um caso real que se passou consigo numa viagem. Quando chegou ao quarto do hotel viu que tinha um roupão com o seu nome. “Fiquei admirado. Fui à receção perguntar porque estava ali um roupão com o meu nome. E responderam-me que era para que me sentisse em casa. Perguntei o que faziam com o roupão com o meu nome quando me fosse embora. Responderam-me: 'Iremos guardar até ao seu regresso'. É isso um exemplo de um serviço de personalização. E voltei àquele hotel”, afirmou.

Adolfo Mesquita Nunes
(foto: Ordem dos Economistas)

Adolfo Mesquita Nunes
"São as pessoas que determinam o bom acolhimento"
Outro orador da conferência foi o ex-secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes.
Disse que o setor está a mudar com a geração do milénio, que procura emoções e não destinos. “Querem ser viajantes e não turistas" e "são individualistas e querem exclusividade mesmo em destinos de massas". Além disso, aponta que esta nova geração tem smartphones e não máquinas fotográficas e que querem estar conetados em permanência para decidir o que fazer. Daí afirmar que hoje em dia, o wi-fi “é mais importante do que água quente no hotel”.
Neste sentido, não tem dúvidas que o setor do turismo tem que se adaptar às preferências desta geração pois é quem mais viaja e representa mais de 2.500 milhões de pessoas.
Ministro ausente e presente
Ausente fisicamente da Conferência Anual de Turismo, que se havia comprometido a estar presente, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, esteve na sala virtualmente. Enviou um vídeo para a conferência no qual focou a importância do turismo para a economia portuguesa. Disse ser um setor estratégico para Portugal, que tem vindo a atravessar um ótimo momento, com um bom crescimento da procura e das receitas geradas.
Não obstante, evidenciou que o Governo vai continuar a apostar no turismo e a dar ainda mais força ao setor. Isto porque dar mais força ao turismo “significa apostar naquilo que é estratégico para o setor e nada é mais importante para o turismo do que as pessoas. São as pessoas que determinam o bom acolhimento, são as pessoas que fazem a simpatia do nosso país. E são as pessoas que tornam este setor num dos sectores mais competitivos da economia portuguesa”.

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