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Eduardo Jesus lança livro que recorda e contextualiza primeiro carro na Madeira

O economista madeirense Eduardo Jesus lançou na última quinta-feira o livro “O primeiro automóvel na Madeira”. É resultado de um grande trabalho de investigação que o ex-presidente da delegação na Madeira da Ordem dos Economistas reuniu numa obra que agora partilha.
Uma obra que refere não quis que fosse um simples livro acerca de um carro, pese embora tenha um valor histórico muito forte. Por isso optou por uma obra mais abrangente, dedicando logo o primeiro capítulo à descrição do que era a Madeira no início do século XX. Procura contextualizar e mostrar «como se vivia na ilha, o que aconteceu então de relevante, as inovações que ocorreram na ilha, quem nos visitava e onde ficavam hospedados, uma referência à visita régia, aos transportes que existiam, incluindo o carro americano e o comboio, a regulamentação da cabotagem, e por aí adiante».

Vasta coleção de fotografias

Entre o muito que está escrito, em português e inglês, o livro conta com 128 imagens, 88 delas de fotógrafos madeirenses, com mais de 100 anos. Outras são de bases de dados inglesas que o escritor
contratou.
Depois, há um outro capítulo que mostra quem era Bernard Harvey Foster, o dono do primeiro carro que esteve na Madeira. Resulta de uma investigação que Eduardo Jesus fez em Inglaterra com base em informação da família e igualmente fruto de uma subscrição de diários onde conseguiu mais de 83 notícias acerca dele, abordando as mais variadas vertentes que fazia, incluindo a vida profissional e outras tantas atividades extra-profissionais, como os clubes que fundou, as competições que entrou, e algumas passagens da sua vida como foi o serviço voluntário prestado em França, na primeira guerra
mundial.

A aventura de trazer o 1.º carro

Eduardo Jesus descreve igualmente a aventura que foi trazer o primeiro carro até à Madeira, «numa altura em que não existiam motores a combustão por cá, apenas a vapor. Por isso, não haviam combustíveis na ilha e Harvey Foster teve de inventar uma forma de os trazer.
As companhias de navegação tinham medo de transportar a gasolina porque receavam que o balanço das ondas fizesse explodir o combustível. A solução foi contratar um veleiro em Lisboa que transportou os bidões e fez desembarcar o combustível no calhau».

Carta por quem nunca tinha visto um automóvel

Mas a aventura do inglês Harvey Foster com o seu carro na Madeira não se ficou por aqui. O economista e escritor madeirense diz que o inglês foi mandado parar porque havia legislação a cumprir e o carro tinha de ser inspecionado assim como, ele próprio, necessitava de ter carta, que teve de tirar na Madeira num exame que fez em 19 minutos numa ida a Câmara de Lobos por examinadores que nunca tinham visto um carro. Refere, ainda, que este é umdos vários episódios que fazem desta história um episódio único e recheado de aventura.

Procura pelo rasto do carro sem resultados

Na sua investigação, confirma o regresso do automóvel no mesmo barco em que viajou a família Foster para Inglaterra e descobre ainda o anúncio da venda do carro em 1912 em Inglaterra.
Eduardo Jesus procurou ainda encontrar o paradeiro do Wolseley 10 h.p. que esteve na Madeira, mas admite que tudo indica que foi desmantelado. Do encontro que teve com alguns clubes ingleses, em setembro do ano passado, procurou tudo o que havia e foi-lhe informado que esse mesmo carro há muitas décadas que não existe.
Há igualmente um capítulo ligeiro onde descreve o carro e o que representava então, recorrendo a anúncios publicitários da época e ao catálogo comercial do fabricando, na edição de 1904.

Sair mais forte

Por fim, surge a conclusão onde utiliza uma expressão latina que consta do brasão da família de Harvey Foster que significa: “Perante uma dificuldade há que sair mais forte”, que «carateriza claramente toda a aventura que foi trazer o carro aqui à Madeira e a forte mensagem de grande esperança que deixou à Madeira, numa altura em que se vivia com enormes dificuldades e onde a emigração era a única opção para o flagelo que se vivia na ilha», sublinha Eduardo Jesus.
Reafirma que este trabalho conseguido com o acesso ao magnífico espólio do Museu Photographia Vicente e do Arquivo Regional da Madeira de quem recebeu um forte apoio que complementou as
fontes externas, na sua maioria, em Inglaterra e que envolveram bibliotecas, museus, coleções particulares, a Câmara Municipal de Sheffield, entre outras.
Para o autor, esta concretização é um momento de justiça com a história da Madeira.

A nova Rotunda Harvey Foster

A apresentação do livro, a lançar às 18 horas do próximo dia 12 no Teatro Municipal, será feita por Ricardo Veloza.
Pelas 16 horas desse dia será inaugurado um baixo relevo, cujo projeto criativo foi oferta do referido escultor, para o qual a Câmara Municipal do Funchal conseguiu, ao abrigo da lei do mecenato, o apoio da empresa Teleféricos da Madeira que assegurou a respetiva fundição, naquela que passará a chamar-se Rotunda Harvey Foster, situada à entrada do Porto do Funchal, porque foi por ali, na Rampa do
Carvão, que experimentou o carro, subindo e descendo duas vezes e concluindo que aquele era o veículo apropriado para ali circular.
Na véspera, quarta-feira, os netos de Harvey Foster, Jane Lay Tolofson e Mike D. Lay serão recebidos pela secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes e ainda pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal.

Doação da máquina fotográfica

No encontro com Conceição Estudante, os familiares vão doar à Região, em concreto ao Museu Photographia Vicentes, a máquina fotográfica de Harvey Foster que usou na Madeira em 1904 e que, curiosamente, captou o fotógrafo local (Vicente) em ação. Desta máquina surgiram algumas fotografias que foram publicadas em revistas inglesas da época.

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