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APAVT concorda com fusões mas com regras

A APAVT concorda com a fusão entre o AICEP, o Turismo de Portugal (TdP) e o IAPMEI, desde que esta se cinja às funções comuns às três áreas, nomeadamente, “gestão administrativa, financeira, jurídica e recursos humanos e sobretudo na coordenação das diferentes áreas de actuação”, mas que permita manter a especialização e segmentação.
Em comunicado, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) abordou três questões relativamente à proposta para o Orçamento de Estado 2012, nomeadamente, a fusão do AICEP, TdP e IAPMEI, o aumento do IVA para 23% e a introdução de portagens na Via do Infante.


Estas medidas, a serem postas em prática sem terem “em conta a economia real e em particular o sector exportador”, poderão afectar “gravosamente as empresas dos sectores exportadores” que poderão ver-se “incapacitadas de cumprir o seu papel na recuperação da economia e consequentemente das Finanças Públicas”, afirma a associação.
Relativamente fusão entre as três instituições, a APAVT considera que “não faria sentido que os Empresários nacionais e em particular os do Turismo, que só têm sucesso porque aplicam todos os dias a racionalidade económica nos seus processos de negócio não concordassem que há espaço para racionalizar e, consequentemente, libertar recursos para melhor promover e vender Portugal e os seus produtos”.
No entanto, diz a associação, esta racionalização deve cingir-se ao “back office, nos sistemas, nas instalações, na gestão de funções comuns às três áreas como a gestão administrativa, financeira, jurídica e recursos humanos e sobretudo na coordenação das diferentes áreas de actuação…”
“Ir para além disso, amalgamando todo um conjunto de actividades, know how, expertises e experiências diferentes consubstanciadas em quadros altamente especializados, parece-nos que significará apenas nivelar por baixo”, continua a APAVT que alerta que “na coisa turística a especialização e segmentação são as geradoras de receitas e principalmente de margem”.
O aumento do IVA para a taxa máxima de 23%, quando “todo o processo de contratação da hotelaria e demais serviços associados para as próximas épocas de Inverno e Verão já foi afectado por esta incerteza pois os empresários nacionais”, já que foi feiro com a taxa a 6%, terá impacto na competitividade quer do Destino Turístico Portugal quer na rentabilidade do sector, “já afectada pelo aumento das taxas de Juro e pelo estrangulamento do financiamento à economia”.

“O sector, para competir, não podendo repercutir o aumento nos preços, terá de absorver o impacto fiscal na sua margem operacional, já debilitada face à necessidade de combater a oferta de Destinos fora da Zona Euro e da Europa, ou na Zona Euro com regimes excepcionais – Canárias e Palma de Maiorca”.
“A verificar-se, esta opção será catastrófica para as empresas” afirma a APAVT. Quanto à introdução de portagens na Via do Infante, a APAVT pergunta-se “como vão os operadores turísticos que fazem inúmeras viagens diárias nessa Via transportando turistas do Aeroporto para os Hoteis - e vice-versa - suportar esse encargo pois nalguns casos já fecharam contratos com os seus clientes estrangeiros para o Inverno 2011 e Verão 2012”. A associação apela a um prazo de vacatio entre a adopção da medida e a sua implementação para as empresas, “sob pena de os operadores terem de absorver este custo nas suas margens operacionais já debilitadas pelos efeitos da crise instalada num contexto de necessidade de dar aos clientes preços estáveis”.
“Não é economicamente viável, não é justo e defrauda as expectativas das empresas de turismo de exportação, fundamentais na recuperação da economia Nacional”, afirma ainda a APAVT.
A APAVT afirma que “entende e compreende”, no sentido de recuperar o controlo das contas públicas e a direcção efectiva da execução orçamental num contexto e ambiente económico e financeiro claramente difícil, “as medidas tomadas para que seja possível ao País cumprir os compromissos assumidos com a Troika” e mostra-se “disponível para colaborar com o Governo nesse esforço nacional e incontornável de cujo sucesso depende o futuro do País”.

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