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Bruno Freitas: Gare marítima é viragem no Porto do Funchal

Porto do Funchal
É inaugurada hoje a nova gare do Porto do Funchal. Uma infra-estrutura que Bruno Freitas, presidente dos Portos da Madeira considera um ponto de viragem. O primeiro teste com um navio de cruzeiros está marcado para a próxima quinta-feira. Nesta entrevista, revela que as taxas não vão aumentar este ano. E admite que, possivelmente também para o ano não. Diz ainda que quer incrementar os cruzeiros no Verão e consolidar os de Inverno. Em matéria de acessos vão ser mais flexíveis, embora sempre condicionados quando estiveram paquetes.




O que vai mudar com a nova gare?
Além do aspecto visual e arquitectónico haverá uma melhoria óbvia na recepção aos passageiros e aos navios.
Diria que a inauguração marca uma viragem na História do porto. Com uma estrutura moderna vem reforçar o posicionamento da marca Portos da Madeira.
Quando será o primeiro grande teste à gare?
Será na próxima quinta-feira [com o navio Grand Voyager], altura em que já serão utilizadas as instalações do terminal.
Houve necessidade de contratar mais pessoas ou antes haverá um reajustamento dos colaboradores?
As pessoas que estavam a trabalhar fora vão passar a estar no novo terminal, quer nas zonas de portas quer nas zonas de bagagem. E também vão lá estar as entidades exteriores como os serviços da Alfândega, fiscais e de estrangeiros e fronteiras.

As mangas vão surgir numa fase posterior...
Vão reforçar a operacionalidade do terminal, que está preparado e desenhado essencialmente para trabalhar com elas. Já foi adjudicado o seu concurso. Neste momento, estão em fase de construção. Vêm para a Madeira em finais de Setembro, princípio de Outubro, para serem montadas até Novembro.
Quantas mangas serão?
Duas mangas que correm ao longo do cais e fazem a ligação entre o passadiço e o navio.

Tirando isso, a totalidade do empreendimento fica concluído agora?
A infra-estrutura está concluída. Vamos proceder agora à fase seguinte que serão os concursos para as lojas, uma área afecta a restaurante/snack-bar e uma outra para floristas.
Haverão igualmente áreas livres onde irão ser colocados pontos de negócio, de apoio aos cruzeiristas e tripulações, que ainda não estão afectos, mas que se encontram disponíveis para fazermos concursos em termos de ideia, sem querermos sobrecarregar o terminal porque não é um centro comercial.

A unidade provisória que os Portos da Madeira têm à entrada será desactivada e passa agora para o terminal...
Sim, passa a estar integrado. Devo dizer que além do concurso vamos trabalhar o regulamento de exploração das áreas de negócio. Está pensado em termos de ideias, mas após a inauguração, vamos avançar com essa fase, que inclui um concurso para a aquisição de alguns equipamentos, nomeadamente os aparelhos de raio-x a serem instalados no terminal e o detector de metais.

O restaurante será mais uma oferta na cidade?
O restaurante será uma unidade quase âncora do terminal. Servirá de apoio quase imediato. As lojas e o restaurante vão avançar em simultâneo. Mas atenção que a abertura ao público local queremos fazer de forma a que não seja incompatível com a própria segurança da operação.
Com navios no porto não devemos fazer confusão e interligações com os passageiros por razões de segurança.

E o acesso do madeirense ao molhe. Vão continuar as restrições?
Os acessos serão revistos e condicionados. Temos que ter em atenção o número de passageiros em terminal. Mas, depois da largada dos navios e sempre que tivermos o porto disponível os acessos serão menos condicionados. O acesso à infra-estrutura e às áreas não reservadas será livre.
Ou seja, se o porto estiver cheio de cruzeiros o madeirense não vai poder entrar livremente como antigamente, antes das obras...
Havendo muito movimento portuário, não faz sentido existir uma mistura enquanto os navios estiverem. Agora, depois, haverá acesso.
Devo dizer que, depois da inauguração, vamos fazer uma revisão e análise ao que se irá passar em termos de segurança portuária.

Mesmo sem navios no porto, o molhe vai encerrar a determinada hora da noite?
Vai. Até por força do investimento feito. Não queremos que haja uma circulação livre toda a noite. O portão vai continuar à entrada do molhe, e assim que feche o comércio e não haja movimentação portuária, encerramos o acesso.
Diria que, ainda sem haver certezas difinitivas acerca do horário normal de funcionamento, deverá ser até às 23 horas, ou, o mais tardar, até à meia-noite.
Mas evidentemente que temos um segurança que irá controlar e viabilizar o acesso a viaturas de apoio aos negócios.

Quando será feita a transferência dos serviços da administração portuária para o novo empreendimento?
Estamos a tratar desse procedimento. Com a abertura vamos trabalhar as transferências da redes de informática e servidores. A nossa perspectiva de mudança será que aconteça mais no final do Verão.
Será faseada?
Não. Iremos fazer a transferência quase em simultâneo.
Os Pilotos também mudam nessa altura?
Sim.

A nova gare vai poder servir de pretexto para aumentar as taxas no porto?
Não. Temos uma proposta para sair em breve uma revisão, que não irá contemplar a subida de tarifas. Estamos convictos que isso poderá vir, eventualmente a acontecer. Este ano não e, concerteza, no próximo ano também não.
Mas a verdade é que os portos não aumentam tarifas desde 2006.
A haver revisões de tarifas serão sempre feitas em concordância com as condições do mercado. Estamos conscientes das parcerias que estabelecemos com Canárias e com os portos nacionais, pelo que deverá haver uma harmonização de tarifário.
No que diz respeito à rota Atlântica, a harmonização de tarifários vem balancear um pouco o que os operadores de cruzeiros estão disponíveis a pagar.
Nesse sentido, estamos conscientes das nossas vantagens nos preços. Sem dizer taxativamente que vou aumentar ou baixar, deve tratar-se em primeiro lugar a harmonização dos preços.

Não haverão, portanto, aumentos nas taxas este ano?
Não vamos aumentar as taxas portuárias. O que estamos a fazer é criar uma nova portaria em que se separa a componente de tarifas relacionadas com as actividades e serviços portuários e um anexo dedicado às tarifas que dizem respeito a actividades de negócio comercial em áreas dominiais sob gestão da APRAM.
O ajustamento que foi feito tem a ver com questões formais no que diz respeito a componentes jurídicas. Ou seja, no que diz respeito ao negócio dos cruzeiros não aumentamos a tup [taxa de uso de porto] passageiros nem a tup navio.
Até porque este terminal quer mesmo incrementar um maior número de escalas...
O principal objectivo deste investimento é fomentar a possibilidade de se incrementar negócio no “turn-around”. Também para o aumento do negócio no Verão. Vamos criar mais benefícios para Verão, inclusivé com práticas de descontos aos passageiros, influenciado pelo número de movimentos e escalas que os navios possam fazer, bem como numa redução mais significativa na tup de navio para as escalas naquele período.
Queremos quebrar a sazonalidade, consolidando o mercado de Inverno. Não queremos trocar.
A aposta da MSC Cruises para o ano, com o “turn-around” no Funchal, os tais embarques e desembarques que se pretende, já é reflexo da gare?
A aposta da MSC Cruises como de outras companhias tem sido um pouco o trabalho que a administração dos portos têm andando a fazer. Tem havido uma intensificação por parte dos portos da Madeira, de Canárias e nacionais na abordagem aos operadores de cruzeiros. É isso que temos feito com as nossas participações nas feiras e nas grandes oganizações dos mercados de cruzeiros.
Mas a gare também ajuda nesta estratégia?
Tem sido um motivo de venda e da nossa abertura para o mercado a afirmar que temos condições para formentar as passagens na Região de forma a que sejam marcantes a tudo o que diga respeito ao destino turístico que é a Madeira.

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