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Crise vai provocar reajustamentos nas agências de Viagens

João Welsh, delegado na Madeira da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, reconhece que esta crise e o impacto que terá nas contas das empresas, inevitavelmente, irá levar a uma nova onda de fusões e aquisições, ou outros modelos de concentração de agências de viagens. E mesmo resultar em reengenharias nos modelos de algumas agências de viagens na forma como operam.


A juntar a uma conjuntura económica e financeira difícil, surge a gripe A. Até que ponto está a afectar o movimento turístico? Fala-se já de alguns cancelamentos de viagens...
De facto, têm vindo a público muitas notícias relacionadas com a gripe A, o que é perfeitamente normal visto estarmos perante uma epidemia, que significa que deixou de ter fronteiras. Já convivemos com ela no país e na própria região.
No entanto, em relação aos hábitos de férias e de viajar não tenho qualquer indicação que esteja a afectar. Admito que, muito pontualmente, haja uma ou outra pessoa que possa mudar o destino para o qual estava a pensar viajar, mas, na generalidade, não.
Agora, a crise financeira está a afectar.
Até que ponto há um empolamento em redor da gripe A?
A própria Organização Mundial de Saúde rejeita o desaconselhamento de viagens. Por outro lado, os próprios aviões são dos lugares mais seguros para evitar a contaminação, pelo que não tenho sentido impacto nas viagens das pessoas.

Comprar mais por menos
O alerta do presidente da APAVT de que “não podemos iludir-nos com índices de ocupação ou de vendas, pois é preciso também analisar a que preços são conseguidos” tem então mais a ver com a crise financeira?
Não podemos ignorar a realidade de que a crise está a ter impacto não no que seria expectável, no número de pessoas a viajar, mas sim, em alguns casos, nas vendas e, em todos os casos, generalizado nas margens.
O que assistimos é que as agências de viagens estão a vender mais passagens, com mais pessoas a viajar.

É o resultado de um “golpe de rins” dos operadores?Acreditamos que o aumento do número de pessoas que viajam resulta da crise que levou os hoteleiros a praticarem preços muito competitivos, tal como as companhias aéreas têm feito muitas promoções, os operadores baixam igualmente, de forma constante os preços com promoções, assim como as companhias de cruzeiros.
Por isso, nunca houve tantas oportunidades a tão baixo preço como este ano. Em 2009, quem faz férias depara-se com oportunidades únicas que não teve no passado e que, concerteza, não as irá encontrar no futuro.

Vender e perder com operações

Até para o México, o país onde terá começado a gripe A, as pessoas recomeçam a viajar para lá. As Caraíbas também crescem...
No fundo, é o resultado das pessoas se terem apercebido dos preços competitivos, pelo que os grandes beneficiários são os consumidores.
Os agentes de viagens estão a perder dinheiro em muitas operações; as companhias aéreas estão a ter resultados deficitários em muitas das operações, tal como os próprios operadores e os hoteleiros com preços demasiado “esmagadas”.

A perda de margem por levar ao desaparecimento das agências de viagens com menos músculo?
Tenho a noção clara que esta crise mundial está a afectar todos os sectores. Seria completamente irresponsável não ver que o turismo e as agências de viagens não estão igualmente a ser afectados e que correm riscos. Pelo que é natural que, as agências de viagens que estão mais debilitadas, possam sofrer muito com esta redução de preços e esmagar de margens.

Pode potenciar uma nova vaga de concentrações?Reconheço que esta crise e o impacto que terá nas contas das empresas, inevitavelmente, irá levar a uma nova onda de fusões e aquisições, ou outros modelos de concentração de agências de viagens. E mesmo resultar em reengenharias nos modelos de algumas agências de viagens na forma como operam.

O que representam os segmentos de negócios e de lazer nas vendas das agências de viagens?
O que se assiste a nível nacional é que a parte que chamamos corporativa, das vendas às empresas, está a sofrer mais que a do lazer, de passagens e pacotes turísticos aos particulares.
O que tenho ascultado de colegas na Madeira, e tendo em conta que nem todas as agências têm as duas, revela que as empresas estão a ter uma evolução talvez melhor que a componente de lazer.

Vendas de Verão podem surpreender
Quais são as perspectivas para o resto do Verão?Até ao mês de Julho, o número de passageiros aumentou. As vendas estão praticamente estagnadas ou a cair na maior parte das agências, com um efeito contrário ao número de passageiros.
Agora em relação aos meses de Agosto e Setembro estamos a assistir, cada vez mais, a reservas em cima da hora, apesar dos riscos que as pessoas correm porque, depois, podem não encontrar as alternativas pretendidas.
Contudo, admito que os próximos meses estejam alinhados com o que aconteceu no primeiro semestre, com mais pessoas a viajar e vendas inferiores e margens esmagadas.

Canárias está a ter alguma dificuldade na procura para Agosto. Será que existe alguma mudança dos madeirenses para outros destinos?
As vendas para Canárias, até ao mês de Julho correram muito bem. Os voos encheram.
Em relação ao mês de Agosto julgo que ainda é muito cedo. Existem muitas promoções, algumas agressivas, para Canárias, e, tal como já referi, há muita reserva em cima da hora, pelo que o balanço poderá ser bastante positivo.
Todos sabemos que Canárias é um mercado de proximidade, apresenta preços imbatíveis e boas unidades hoteleiras, pelo que acredito que será uma boa alternativa para muitas pessoas. Acredito mais que hajam pessoas que deixem de fazer outro tipo de viagem para ir a Canárias do que o inverso.

Crise exige mais promoção
Além do que se falou, o que preocupa ainda os agentes de viagens?Existem as questões fiscais que continuam a preocupar os agentes de viagens. Há o relacionamento com algumas companhias aéreas...

... em relação à Tap...
...em relação à Tap, as negociações têm decorrido bem. Não é motivo de preocupação.
Continuamos a acompanhar a questão do novo aeroporto de Lisboa assim como das alterações que têm surgido no actual que não traduzem a qualidade que se desejaria, entre outras matérias que acompanhamos como questões relacionadas com a promoção de Portugal e da própria Madeira, porque, numa conjuntura de crise, como esta, onde há menos procura dos mercados emissores, claramente temos de ser, cada vez mais eficazes na forma de promover e ter mais verbas para a promoção. Isso é uma preocupação muito grande que temos em relação à Madeira.

in Jornal da Madeira

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