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Raquel França diz que a promoção tem de ser flexível

Raquel França é directora regional do Turismo da Madeira desde Novembro de 2008. Entrou para o lugar deixado em aberto com a saída do seu antecessor, Paulo Faria, que partiu para o Luxemburgo para o Tribunal de Contas da União Europeia.
Nesta grande entrevista, a madeirense que esteve fora da ilha cerca de 17 anos, onde vinha apenas de férias, revela já alguma familiarização com o sector que desconhecia por dentro, apesar de ter nascido no seu seio.
É a primeira grande entrevista que concede.









Assumir o cargo de directora regional do Turismo pode ser visto como um “regresso” a um sector que esteve ligada por laços familiares?
É verdade. O Savoy era quase como uma segunda casa. Até pessoas que conheço, algumas que trabalham aqui na Secretaria e noutros lugares, passaram pelo Savoy. Era uma casa que tinha muitos trabalhadores.
Por força de circunstâncias, foi vendido. Mas continuamos a manter o relacionamento. Ainda hoje costumo ir lá.

Saber que um dia o “seu” Savoy vem abaixo causa saudosismo?
Isso já começou com a parte do Royal Savoy onde estava a piscina antiga. Aos poucos vamo-nos habituando às mudanças e a ver nascer coisas novas. Mas cria sempre uma certa saudade.

Com quase cinco meses no cargo já sente o “pulso” do Turismo?
Aos poucos vou sentindo. Conto com uma equipa bem experiente, com longos anos de trabalho, que me apoia. Mas devo dizer que é fácil tomar decisões a este nível.

Nesta situação económica e financeira desfavorável, que não se sabe se é conjuntural ou estrutural, a aposta na novela da TVI “Flor do Mar” acaba por ser providencial com o incremento do mercado turístico nacional...
É uma grande aposta. Estamos a fazê-lo no mercado nacional para compensar outros mercados como o inglês e o alemão que estão a baixar um pouco. O mercado nacional está a subir.
Além da novela, apostamos no programa do canal um da RTP na emissão da Primavera, que se realizou na Praça do Município. Foi uma tarde inteira, onde também estive, onde foram abordadas diversas vertentes da Madeira.
A juntar a estes, também há a possibilidade que os nossos eventos internos, como a Festa da Flor, sejam igualmente captados pelo mercado português.

Além da “Flor do Mar”, o programa que falou, a BTL e os “porta-a-porta”, tem havido alguma reorientação para captar ainda mais os turistas nacionais?
Há um trabalho contínuo de tentar mostrar a Madeira aos portugueses. Muitos ainda não conhecem a Madeira.
Têm uma ideia através do que vêm no Telejornal ou em algum programa. Mas têm sempre uma ideia, que considero errada, que é um destino antigo e muito caro. Por isso, dirigem-se mais ao Algarve que é mais barato.
Mas, se forem para o Algarve, acabam por ter umas férias com menos qualidade, com bichas para o supermercado e para a praia.
Se optarem pela Madeira, beneficiam de uma qualidade superior, com preços acessíveis. E agora, com a vantagem de poderem vir de barco por Portimão, e esperemos que possam também poder fazê-lo, em breve, a partir de Lisboa. Depois temos as companhias aéreas a voarem não só para a Madeira como para o Porto Santo, principalmente no Verão.

A situação económica desfavorável obriga a constantes reorientações, não só para o mercado interno como internacional?
Temos de ser flexíveis. Não podemos pensar que, por termos um orçamento determinado para o mercado nacional, será fixo. Temos rubricas destinadas à partida, mas, numa eventualidade, podemos reajustar de um lado para outro de forma a conseguir captar mais turistas.

Ultimamente tem havido uma maior atenção ao turista dos cruzeiros. É realmente uma aposta da secretaria regional em valorizar quem chega por mar?
Exactamente. Estamos a fazer reuniões internas precisamente para ver como bem recebê-los. Entre as ideias estão eventos para os navios que chegam pela primeira vez ou outros que despertem...

Em tempos, chegou-se a receber com folclore as primeiras escalas. Hoje não sei como é...
A indicação que tenho é que não se faz. Mas estamos a planear reuniões com a APRAM no sentido de podermos empreender medidas conjuntas. Ver o que o meu serviço de Animação e de Promoção, em conjunto com os Portos da Madeira conseguem encontrar uma estratégia para cativar cada vez mais os turistas dos cruzeiros.
É óbvio que vir de barco é diferente do que chegar de avião, onde os turistas ficam mais dias. Mas, se conseguirmos sensibilizar o turista dos cruzeiros...

... poderá voltar novamente de barco, ou, mais tempo, de avião...
Exactamente. Conseguir cativar para ficarem com o “bichinho”.

A junção das pastas do Turismo e dos Transportes só veio facilitar?
Estamos todos quase dentro do mesmo “barco”. Por isso, rapidamente, conseguimos ajustar as estratégias.

Acredita que a nova gare marítima será um virar de página no turismo de cruzeiros?
Será.

A hotelaria da Madeira é tida como uma oferta de qualidade. Mas há necessidade de estar sempre atento?
Hoje em dia é preciso estar sempre atento à hotelaria e a tudo. Diria que estamos próximo da hotelaria que hoje já oferece uma panóplia completa de unidades para todos os gostos.

Os operadores batem muito à porta para pedir apoios?
Já tivemos alguns, que serão analisados.

O madeirense continua a saber receber bem o turismo?
Na Madeira, desde que nascem, as pessoas sabem que o turismo é muito importante. Há muita gente que trabalha, directa ou indirectamente no sector.

Deveríamos ensinar turismo nas escolas da Madeira?
Penso que cabe um pouco às famílias incutir que numa ilha como a nossa, o turismo é, realmente, importante.

Como tem decorrido a nova legislação para os veículos que transportam turistas?
Todos os transportes estão agora devidamente identificados com placas com AV e AT na frente.
Por isso, desde final do ano passado que temos vindo a fazer acções de inspecção entre a Direcção Regional do Turismo, a Direcção Regional dos Transportes Terrestres e a PSP, em áreas como o Cabo Girão, para termos a certeza que todos cumprem.

A Madeira não é
só um destino calmo


A beleza das nossas serras e levadas há muito que é conhecida e divulgada. Mais recentemente, começamos a virar-nos para o mar...
... e não só. Temos também os desportos radicais que cativam a juventude.
A ideia que as pessoas ainda têm da Madeira, tanto no continente como lá fora, é que temos um turismo sénior e um turismo caro. Com uma bonita natureza e bom clima, e pouco mais.
Contudo, temos ido lá para fora vender a Madeira com uma postura onde mostramos a variedade de opções que a Madeira oferece.
Este ano temos pogramadas 73 acções. E, nos próximos anos, vamos continuar a mostrar esta realidade. Aos poucos, estamos a plantar semetinhas nos potenciais turistas para que não pensem que a Madeira é só calmaria pelas levadas. Temos muito mais para oferecer.

Que feed-back tem das férias que já participou como directora regional do Turismo?
Na BTL estava mais ocupada com o nosso stand e com o nosso jantar.
Depois, na Fitur, em Espanha, e na ITB, na Alemanha, quando tinha algum tempo entre reuniões ia ao balcão para saber o que as pessoas pediam e que tipo de informação. É também com isto que temos de nos preocupar. Contudo, algumas respostas já estão contempladas nas brochuras e causam admiração pois as pessoas desconhecem que numa ilha tão pequena se possa fazer tanto.

Observatório do Turismo
é dispensável


A Assembleia Legislativa da Madeira rejeitou há algumas semanas a proposta de criação de um Observatório do Turismo e Transportes aéreos e marítimos. Um dos argumentos é que “não acrescenta nada” aos organismos públicos com intervenção no sector como o Conselho Regional de Turismo. Como alguém ligada aos números considera que existem dados suficientes, e bem articulados, para conhecermos bem o Turismo?
Conseguimos dados onde podemos cruzar informações. Seja através do INE, dos aeroportos e da Direcção Regional de Estatística. Passamos a ter igualmente dos portos. Com isto conseguimos ter um apanhados geral dos números em determinado momento para podermos, depois, agir perante as situações.
Desta forma, termos observatórios aqui e conselhos acolá, depois as coisas acabam por ficar muito dispersas, com muitos intervenientes, o que tenderá a ser prejudicial pois poderá não, permitir agilidade.Negrito

Já se consegue sentir o efeito das low cost no mercado nacional?
Temos números que atestam isso. Mas, acima de tudo fomentou um maior nivelamento dos preços.

Que balanço se pode fazer do Madeira Specialist, dirigido aos agentes de viagens nacionais?
Estamos a ter muito boa aceitação. A primeira fase já terminou.
Continuamos a fazer a segunda. E continuamos com um número crescente de aderentes.

Há a intenção antiga de replicar o projecto para mercados como o alemão e o inglês...
Sim.

O projecto de certificação de excelência do destino Madeira está a decorrer ao ritmo desejado?
Já houve as primeiras reuniões com os diversos intervinientes., tanto conjuntas como particulares. Levaram toda essa informação. Estive com eles em Berlim, na feira de turismo, e foi-me transmitido que estavam a ultimar o relatório para nos enviar.
Inclusivamente já lhes mostramos a Madeira de forma a poderem descobrir por eles o destino.
Agora é aguardar o relatório que fará um apanhado geral da Madeira e apontará aspectos positivos e outros a melhorar.

Deduz-se, então que o processo está a decorrer normalmente?
Normal. Disseram-nos que atrasaram um pouco, pois deveriam fazê-lo até o final de Março. Mas, estão a ter muitas candidaturas, onde fomos dos pioneiros. Inclusivamente, estão a reforçar a equipa.

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