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Liberalização não respeita continuidade territorial

A presença da easyJet na rota entre a Madeira e o continente português é positiva mas só será uma estratégia eficaz se houver garantias de ser de longo prazo, considerou João Welsh, delegado na Madeira da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).

João Welsh disse "ainda ser desconhecido se a easyJet recebe ou não apoios públicos".
"Atendendo ao que se passa em Espanha em relação às companhias low-cost [baixo custo] que recebem apoios estatais, fica a dúvida de saber se a companhia se manterá na rota caso deixe de receber essas eventuais ajudas", acrescentou o responsável em declarações à agência Lusa.
Para João Welsh, caso a EasyJet tenha apostado na linha da Madeira porque recebe apoios, "essa seria uma política de curto prazo" e seria apenas "uma estratégia de promoção de rotas e não de um destino turístico na perspectiva de uma consolidação a longo prazo".
Contactado pela agência Lusa, o responsável pela Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira (ANAM), Duarte Ferreira, adiantou que "as companhias aéreas não recebem no contexto da liberalização apoios, visto que estes são apenas atribuídos aos passageiros".
Os residentes no arquipélago da Madeira que efectuem viagem entre a região e o continente recebem um subsídio de mobilidade de 60 euros (30 euros em cada sentido).

Balanço positivo

João Welsh, que fez um balanço positivo dos seis meses da ligação da easyJet entre a Madeira e o continente, salientou a importância para o turismo madeirense da entrada da companhia aérea de baixo-custo, ao permitir uma "alternativa de voos para os residentes e fazer aumentar os fluxos turísticos para a Madeira".
O delegado na Madeira da APAVT criticou no entanto que a liberalização das ligações aéreas para a Madeira, que começou há cerca de um ano, não ter sido complemente "respeitado o princípio constitucional da continuidade territorial através do estabelecimento de um "tecto" nas tarifas para residentes", para evitar que em épocas altas, como no Verão ou no Natal, os residentes tenham que pagar 500 a 600 euros para se deslocar ao continente.
A 27 de Outubro de 2008, a EasyJet começou a efectuar voos domésticos entre a Madeira e os aeroportos do continente, sendo a primeira companhia de baixo-custo a beneficiar do regime de "céu aberto" em vigor desde Abril do ano passado, que liberalizou as ligações aéreas nesta rota.

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