últimas notícias

Jancis Robinson diz que preço elevado do vinho pode dificultar exportação

A britânica Jancis Robinson, uma das mais conceituadas especialistas mundiais de vinhos, considera que "Portugal tem muito para oferecer" mas adverte que o preço elevado dos vinhos de topo pode condicionar a sua implementação no mercado internacional.
Jancis Robinson falava à Agência Lusa em Dusseldörf, Alemanha, onde participou numa prova de vinhos oferecida por Carlos Quintas, um economista português que assinalou o décimo aniversário da sua colecção privada de vinhos portugueses, que conta actualmente com 18 mil garrafas.
Autora do livro "Jancis Robinson prova os melhores vinhos portugueses", publicado em 1999, a "mestre do vinho" inglesa não tem dúvidas que "a qualidade do vinho português aumentou enormemente em 10 anos", mas diz que "o problema é que os preços dos vinhos de topo aumentaram bastante".
"Há um mercado para eles em Portugal, o que os torna um pouco caros demais fora de Portugal", diz, comentando que "actualmente há uma disjunção entre os preços que os portugueses estão preparados para pagar por vinhos de topo e o que o resto do Mundo está preparado para pagar".
Para Jancis Robinson, esse pode ser um obstáculo para que os vinhos portugueses de grande qualidade possam expandir-se.
"No curto termo, sim. Os vinhos que os portugueses gostam mais parecem muito dispendiosos para os não portugueses, infelizmente", diz.
Por seu lado, Carlos Quintas considera que a questão do preço do vinho em Portugal é estrutural: "a nossa estrutura de preços é baseada em 10, 15, 20, 40 hectares, não é baseada em 100 ou 200 ou 1.000 hectares, e isso naturalmente condiciona muito o preço", observa.
No entanto, o coleccionador acha que "o mercado internacional não é tão avesso à questão do preço, pelo menos o mercado alemão", aquele que melhor conhece, onde os consumidores pagam "se o vinho tem carácter e tem muita personalidade".
Carlos Quintas admite todavia que "haverá dificuldades para uma grande expansão no mercado inglês ou países anglófonos", onde a questão do preço é mais tida em conta.

Sem comentários