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By Nature: Uma forma diferente de conhecer a cidade


By Nature. Assim se chama a empresa com sede em São Jorge que assenta a sua filosofia de negócio na defesa do ambiente. Produção biológica, recuperação de palheiros para turismo no espaço rural e passeios num veículo 4x4 por caminhos diferentes, e passeios a pé, são componentes de um projecto que se completa com os circuitos feitos nas zonas históricas Funchal com um veículo “verde”: o Segway, que se move com motor eléctrico não poluente.
É acerca deste último que nos propomos escrever neste texto. Os outros terão sequência em trabalhos nestas duas páginas
Com alvará turístico desde 2006, Jaime Ferreira idealiza nesse mesmo ano a ideia de aplicar a utilização dos Segway para efectuar circuitos tuísticos pela cidade do Funchal. Munido de todas as autorizações para lançar a actividade e circular na via pública (é considerado um velocípede simples pela Direcção Regional dos Transportes Terrestres) começa com a operação em Junho de 2008. Inclusivamente no seguro para os veículos tem de procurar quem os acolha, porque não existem. Encontra na Axa uma janela de oportunidade e lá estão protegidos. A empresa By Nature possui seguro de responsabilidade civil e de acidentes pessoais nos valores máximos.
Negrito
Veículos partem do Madeira Story Center

A empresa tem uma parceria com o Madeira Story Centre e lá estaciona os seus cinco Segway. Dali partem e chegam os dois circuitos programados: um para leste, que cobre a zona velha da cidade, onde está inserido, com a duração de uma hora, e outro para oeste, que tem como ponto alto a visita à Fortaleza do Pico. Tem a duração de duas horas.
O primeiro, o circuito da zona velha, passa pela Rua de Santa Maria, Barreirinha, Lazareto, Forte de São Tiago e pelas antigas ruas estreitas e becos da cidade. Custa 30 euros por pessoa.

Um circuito especial

Quanto ao segundo, o circuito da zona oeste, visita a zona histórica do Funchal. Passa pelo Palácio de São Lourenço, pelas ruelas da Carreira até ao Museu das Cruzes.
Depois, é hora de subir até á Fortaleza do Pico, por ruelas e becos, ver a vista deslumbrante, e descer até à Câmara Municipal do Funchal, contornar o Mercado dos Lavradores e atravessar as ruas estreitas e mais antigas da cidade até ao Forte de São Tiago, construído com a finalidade de proteger e defender a cidade dos ataques vindos do mar. Custa 50 euros por pessoa.
Sem descurar a visita ao centro histórico da capital, Jaime Ferreira sublinha que o circuito à fortaleza é inolvidável. Evidencia que é constituído por características que nem mesmo as grandes cidades europeias oferecem.
Não obstante, confidencia que a maior procura é pelo circuito da zona velha. E, tanto um como o outro, são mais procurados por estrangeiros.
Normalmente, os circuitos são realizados à tarde. Mas podem ser feitos de manhã, desde que marcados.
O máximo são quatro pessoas. Mas podem ser apenas duas. Em qualquer dos casos, têm sempre a acompanhar o próprio empresário, que reserva sempre 10 a 15 minutos antes de partida para a aprendizagem de quem nunca experimentou um Segway.

A facilidade de conduzir

Sem nunca termos estado em cima de nenhum, podemos dizer que a própria experiência de conduzir um Segway que nos proporcionou Jaime Ferreira é quase viciante. Além da facilidade em conseguir equilibrar-se neste prodígio da tecnologia que deve ter-se inspirado nos bonecos “sempre em pé”, os passeios que proporcionam dificilmente serão esquecidos.
Para breve, Jaime Ferreira quer lançar um novo circuito, nocturno, pela zona turística, que incluirá um jantar num restaurante, onde não entram bebidas alcoólicas.
Igualmente em estudo está a possibilidade de voltar a levar os cinco Segway para o Porto Santo nos meses de Verão, tal como fez o ano passado, e que constituiu um grande sucesso junto de estrangeiros e de madeirenses.

Segway: um veículo que “pensa”

A idade mínima para conduzir um Segway é de 18 anos, ou inferior quando acompanhados pelos pais.
Além disso, tem de ter um peso entre os 40 quilogramas e os 120 quilogramas.
Em relação aos Segway podemos evidenciar que se trata de um meio de transporte de duas rodas que funciona a partir do equilíbrio de quem o utiliza.
A tecnologia existente nos Segway, consiste numa inteligente rede de sensores, mecanismos e sistemas de controlo, que permite ao Segway o auto-equilíbrio e deslocar-se em duas rodas.
Para que o Segway avance, o indivíduo só precisa de se inclinar para a frente e para que recue é necessária a inclinação para trás. Para virar, basta oscilar o braço central para o lado pretendido.
É eléctrico, e utiliza duas baterias Li-ion, que lhe permitem uma autonomia de cerca de 38km e uma velocidade máxima de 20 quilómetros por hora. Contudo, nos circuitos, Jaime Ferreira limita a velocidade a seis quilómetros, no pequeno mostrador do tamanho de um relógio. Um equipamento vital para gerir o Segway, e sem o qual o veículo não se move.
A sua utilização é vocacionada para a mobilidade urbana, onde poderá representar uma redução de entre 71 a 93% de emissões de CO2 em comparação a qualquer veiculo motorizado, ou híbrido.

A mais-valia de ter um destino mais verde
Jaime Ferreira considera que a cidade do Funchal só teria a ganhar se houvesse uma aposta clara em tecnologias limpas. Daí que veria com bons olhos a existência de locais de estacionamento onde os Segway ou outros veículos de duas rodas movidos a energia eléctrica tivessem oportunidade de parar e carregar as baterias com energia obtida através de energia solar. Diz que seria uma mais-valia para os residentes e para um destino mais verde.
Por outro lado, sublinha que, numa altura em que se fala da necessidade de redução do CO2, não deveria encontrar resistências para ter acesso a edifícios, como acontece em alguns espaços comerciais.
Quanto à questão da legitimidade das Segway circularem na via pública aponta os casos efectivos onde a sua utilização é um dado adquirido, nomeadamente por forças de segurança. É o que acontece com a única esquadra da PSP que o utiliza, em S. João da Madeira, com um aparelho oferecido pelo município para patrulhar mais eficazmente as ruas do centro da cidade, onde é restrita a circulação de veículos.
Existe ainda o comando da Polícia Marítima de Portimão, com veículos para patrulhamento na Praia da Rocha e áreas adjacentes na marina e zona ribeirinha da cidade; a Polícia Municipal de Braga, para as suas acções diárias na cidade; a Polícia Municipal de Famalicão, com veículos para as suas acções diárias de patrulhamento; e a Polícia Municipal de Lisboa, com Segway, para patrulhar a zona da baixa e do Chiado.
Por isso mesmo, o empresário sublinha que se existiam dúvidas relativamente à legalidade da utilização destes veículos, estes exemplos devem ser levados em consideração.

Projectos da empresa

A empresa By Nature foi constituída em 2004. O alvará de animação turística foi obtido em 2006.
Embora tenha avançado primeiro com os passeios, tanto de 4x4 (um Land Rover confortável onde quem optar por este passeio terá a oportunidade de aventurar-se pelos caminhos antigos que atravessam as montanhas da Madeira e de explorar locais pouco acessíveis), a pé (percursos de dificuldade variada, curtos ou longos, pelos caminhos antigos que atravessam as montanhas da Madeira) e de Segway, desde o início que aguarda apoios de entidades públicas para concretizar dois projectos interligados na sede da empresa, em São Jorge.
Trata-se do projecto de agricultura biológica, onde vai plantar frutos silvestres, concretamente framboesas, mirtilos, groselhas, morangos e ainda maçãs e limões.
Integrado no empreendimento, situado no na Ribeira Funda, em São Jorge, Jaime Ferreira, sócio-gerente da empresa, quer recuperar dois antigos palheiros e dar-lhes nova vida, criando duas unidades de turismo no espaço rural. Um T1 e um T2.
Quando tudo estiver concretizado, conta ter naquele espaço do norte da ilha bicicletas e Segway, equipados para todo-o-terreno.
A proximidade do Parque Natural da Madeira e da Floresta Laurissilva são outros ingredientes que o fazem crer na vantagem competitiva do produto que preconiza.
Em relação à produção biológica uma das ideias do empresário é possibilitar a entrega de um cabaz com produtos seleccionados directamente na casa de quem o encomendar.
Uma nota mais para referir um ponto que consideramos relevante no precurso deste jovem empresário madeirense, que começa pela sua preocupação em seguir os passos e trâmites exigidos para empreender cada fase do projecto.
É por isso que, entre as formações que foi adquirindo, tira o curso de guia de montanha em 2003 e o de jovem agricultor. 

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