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Joel Freitas: Madeira Rural aposta no site para captar mais clientes


O presidente da Madeira Rural, Joel Freitas diz que a Madeira Rural decidiu que seria melhor gastar essa verba na renovação do seu “site”, que já está em curso, do que apostar em feiras, fazendo promoção através da Internet.


Como é que decorreu o ano de 2008 em termos de ocupação das casas associadas na Madeira Rural?

Até ao mês de Outubro tivemos uma taxa de ocupação normal, ao nível de 2007, mas a partir desse mês até agora notamos uma descida do número de turistas, o que pensamos ficar a dever-se à conjuntura internacional.

Então qual foi no final de ano a taxa de ocupação apurada pela Madeira Rural?
A média geral terá ficado pelos 40% de ocupação, uma vez que os últimos três meses de 2008, especialmente a época natalícia, foram péssimos.

Foram então números que ficaram aquém das vossas expectativas?
De certo modo sim. Embora haja que assinalar que registámos um aumento pela procura de camas através da nossa central de reservas, que tiveram uma subida de 30% em relação a 2007.
Todavia, trata-se de uma pequena fatia do bolo, uma vez que a maior parte das reservas são efectuadas fora da central, nomeadamente através de operadores turísticos, agências de viagens ou directamente para as casas.
Assim, na média global, não foi registada uma grande evolução relativamente a 2007. Há uma estagnação do mercado.

Quais foram os mercados que registaram uma maior procura pelas casas de Turismo Rural?
Foram praticamente os mesmos de 2007, com destaque para o mercado português, nomeadamente os madeirenses, o mercado francês e depois o alemão. Curiosamente o mercado inglês não é o principal para nós, pois surge em quarto lugar.
No vosso entender a que é que fica a dever-se a fraca evolução na procura pelas casas de Turismo Rural? Será que houve pouca promoção?
A promoção nunca é suficiente. Pensamos que a fraca evolução na procura ficou mais a dever-se ao contexto de crise internacional.

Em relação à promoção realizada pela Madeira Rural, o que é que privilegiaram mais em 2007?
O ano passado ainda estivemos presentes em duas feiras de turismo, mas privilegiámos sobretudo a Internet. Aliás, este ano vamos apostar apenas na Internet.

Mas essa aposta na Internet tem a ver com uma contenção de custos?
Não. É que com a experiência que vamos adquirindo chegámos à conclusão que este é o meio de divulgação e promoção mais fácil para nós e o que implica também menores custos.
Embora as feiras sejam importantes o retorno nem sempre é o esperado. O ano passado, por exemplo, estivemos presentes numa feira de turismo na Holanda onde gastámos 13 mil euros. Acho que a participação nas feiras só resulta quando há uma presença contínua. Não pode ser apenas num ano. Tem de ser durante três ou quatro anos. Todavia, a Associação não dispõe de verbas para isso.
Assim, a Associação decidiu que seria melhor gastar essa verba na renovação do seu “site”, que já está em curso, do que apostar em feiras, fazendo promoção através da Internet.

E em relação à promoção que é efectuada em parceria com outras entidades, nomeadamente com a Associação de Promoção da Madeira?
Temos um projecto com a AP Madeira que está em andamento lento.
O ano passado conseguimos a edição de um guia das Casas de Turismo Rural em francês e este ano contamos editar o mesmo guia em inglês e alemão.
Era um projecto que envolvia as câmaras municipais e as sociedades de desenvolvimento, mas lamentavelmente apenas uma câmara aderiu à iniciativa. Portanto, somos praticamente só nós e a AP Madeira a suportar este investimento mais alguns privados.
De qualquer modo contamos editar os guias, embora com uma reformulação do projecto.

Consideram que o turismo em espaço rural deveria merecer uma maior atenção no capítulo da promoção?
Nós achamos que a promoção do turismo rural nem passa tanto pela AP Madeira e pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes. Pensamos que passa essencialmente pelos agentes locais. Deste os empresários do sector, às autarquias e a todos os que estão envolvidos neste meio.

Qual a verba que a Associação investiu em 2007 na promoção?
Penso que andou à volta dos 20 mil euros.

A Associação é auto-sustentável?
Sim, neste momento é. Os lucros que obtemos são reinvistidos na promoção, pois somos uma Associação sem fins lucrativos.

Quais as vantagens que os clientes encontram em optar pelas casas de turismo rural?
São muitas. Primeiro porque fogem à massificação. Normalmente os clientes procuram o sossego e gostam de ser eles próprios a decidir como passar os dias. Procuram conforto, pois a ideia do turismo rural ser rudimentar já não vinga, qualidade e, como já disse, sossego e atendimento personalizado.

Portanto, a maioria das casas de turismo rural associadas oferecem essas características?
Sim. As casas da Associação dispõem de um leque grande de oferta. Temos desde o topo de gama até ao mais básico.

Neste momento quantas casas são associadas da Madeira Rural?
São 42 casas associadas.

Continua a existir muita concorrência paralela neste segmento?
Continua igual. Até diria cada vez mais.
Há um fenómeno novo que é o dos estrangeiros que compram casa na Região. Estão alguns meses na Madeira e depois vão para os seus países, onde alugam depois a casa. Portanto, recebem o dinheiro por isso e não descontam para os cofres da Região. É uma concorrência desleal que é difícil de controlar.

Quais são os projectos da Associação Turismo Rural para este ano?
Para além da renovação do nosso “site” pretendemos promover a adaptação dos nossos estatutos à nova legislação nacional dos estabelecimentos de turismo rural, onde poderemos ir buscar mais alguns associados, pois irá abranger os hotéis rurais.

Essa nova legislação vai implicar uma reclassificação dos estabelecimentos turísticos em espaço rural?
Sim. Passa a haver dois tipos de alojamentos. Há os empreendimentos turísticos, onde está inserido o turismo em espaço rural, e o alojamento local, que é licenciado apenas pelas autarquias e que não vão poder estar inscritos na Associação.

Para quando está agenda a Assembleia Geral da Associação?
Está agendada para 27 de Fevereiro.

A liberalização do transporte aéreo entre a Madeira e o Continente foi positiva para o vosso sector?
Por enquanto não se nota nada de especial, mas em princípio esperamos que traga vantagens.

Quais são as expectativas da Associação em relação ao ano em curso?
Esperemos que não seja um ano pior do que o ano passado. Temos grandes expectativas em relação à época da Páscoa e em relação ao Verão.

Mas há um receio dos associados de que este ano seja pior?
Sim. Aliás, já se nota um decréscimo na procura. Houve casas de turismo rural que não tiveram nenhum cliente na altura do Natal.

O mercado interno poderá de algum modo compensar a menor procura externa?
Pensamos que com a baixa das taxas de juro as famílias possam ter mais dinheiros disponível para fazer férias cá dentro.

O turismo em espaço rural é uma boa opção para criar novos empregos?

Sim. Trata-se de uma boa hipótese de emprego, pois as outras opções dão poucas garantias de crescimento de emprego. Temos de ligar o turismo em espaço rural à agricultura e à preservação do ambiente. O turismo rural representa apenas 1,5% da receita do turismo a nível regional, mas esse 1,5% no meio rural é muito importante em termos de emprego para a população.

O ano passado a Associação registou a marca “Madeira Rural”. Foi um passo importante?
Foi mais no sentido de evitar que outros utilizassem esta marca indevidamente. Quisemos também acentuar a ideia de qualidade, que será vincada no nosso “site”.

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