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4º painel: Tsunami económico deverá trazer consequências nas viagens

(foto Paulo Camacho)
Michel de Blust, secretário-geral da Associação Europeia das Agências de Viagens e Operadores Turísticos – ECTAA, disse em Macau, no decorrer do quarto e último painel do Congresso da APAVT que o que chamou de tsunami financeiro internacional deverá ter algumas consequências no mundo das viagens. Uma delas será, segundo sublinhou, fazer com que as pessoas optem mais por ligações para destinos mais próximos.

por Paulo Camacho

Por outro lado, no domínio das viagens de negócios, admite que tenderá a haver um retrocesso pelo facto das empresas disponibilizarem menos verbas para esse fim. Apontou números de possíveis descidas como seja menos 15% nos países nórdicos. Mais disse a este propósito que entre 35 a 40 por cento das empresas irão cortar nas viagens, optando pelas novas tecnologias.
Diferente destas viagens, as dos cruzeiros são vistas por Michel de Blust com algum optimismo, pese embora sublinhe a existência de mais oferta que procura.
Quanto à existência de algumas falências de agências de viagens, disse que não existem dados que permitam interligar ao tsunami financeiro.

Fixar o preço

Num painel onde o tema era “Distribuição: Dinâmica de mudança, Novas competências”, Justin Fleming, presidente da Associação britânica das agências e viagens – ABTA, falou de uma alteração económica no Reino Unido que leva os clientes a terem de enfrentar outras despesas além das viagens.
Para precisar melhor esta questão, recorreu a um estudo que mostrava que em Abril do corrente ano 30% dos inquiridos dizia que este ano estava a ser um ano pior para si do ponto de vista financeiro. E, em Outro, esse valor percentual situava-se nos 60 por cento.
Considera que um dos grandes desafios que os agentes de viagens e operadores turísticos terão pela frente será o equilíbrio das contas. “Fixar o preço será um factor muito importante”, sublinhou.

O papel da internet

Um ponto abordo pelo painel foi a internet, onde houve uma convergência de que veio para ficar. Da plateia, Francisco Sá Nogueira, administrador da ES Viagens, onde tem a responsabilidade pelos canais da internet, reconheceu esse papel mais disse que há uma grande distinção entre as empresas que a têm unicamente online e das outras tradicionais que a utilizam como complemento.
Para Michel de Blust é uma realidade indiscutível onde poderá ter um papel relevante, sobretudo junto dos consumidores com menos de 25 anos.
Contudo, Justin Fleming disse que poderemos estar a existir a alguma inversão desta realidade com uma maior opção pelas agências de viagens tradicionais, que tendem a oferecer serviços extras que não se encontra na internet. No fundo, entronca no que evidenciou Carlos Melo Ribeiro, CEO da Siemens, que se encontrava na plateia. Começou por dizer que as agências de viagens estão numa posição única de dar um passo em frente, recorrendo à internet. No entanto, admite que recorrer ao agente de viagens tradicional pode resultar num ganho para as duas partes com um up-grade de serviços.

Focalização no desejo do cliente

Acerca desta matéria, Justin Fleming enalteceu o papel dos agentes de viagens pelo facto de possibilitar uma maior focalização no que o cliente pretende, ao contrário da internet, onde a grande panóplia de ofertas torna mais difícil esse desiderato.
Questão relevante igualmente abordada foi a dos incentivos dados às companhias de aviação low cost, onde tanto Michel de Blust como Justin Fleming teceram algumas críticas pelos maus resultados que essa política se tem traduzido em alguns destinos.
O que não invalida que Justin Fleming reconheça o papel que as companhias que praticam preços de baixo custo tenham um papel a considerar no volume de passageiros transportados e nos negócios que potencia, que, de outra forma, não existiriam.

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