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Madeira perde sem promoção única

Como analisa a não aprovação de alteração dos estatutos da AP Madeira?
Com normalidade mas alguma surpresa. Surpresa porque acho que a proposta de novos estatutos era o que melhor servia os interesses da AP Madeira. Não é todos os dias que temos alguém que detem o poder [Secretaria Regional do Turismo e Transportes sobre a promoção no mercado nacional e mercados emergentes ou não contratualizados] estar disposta a partilhá-lo (passava essa competência e poder de decisão para a AP-Madeira sendo assim obrigado a consensualizá-lo com o sector privado) mas com normalidade porque a votação e a Assembleia Geral decorreram como os estatutos o previam e a recusa dos novos estatutos foi inequívoca.

ACIF fez o que lhe competia

A ACIF fez o seu papel junto dos seus associados?
A ACIF é muito grande. Mas, não fugindo à pergunta, direi que o responsável da ACIF para a AP-Madeira que neste caso sou eu (ainda que com o contributo de outras pessoas) fez o papel que lhe competia.
Negociou a proposta com o outro sócio fundador, apresentou a proposta e as suas razões às mesas da ACIF e aos associados da AP Madeira.
O que se passou é que, ou por insuficiência de argumentos ou por má interpretação do sentimento geral dos associados e dos seus interesses aquele que era entendido como o melhor para o futuro da AP Madeira não foi assim entendido pelos associados, que a rejeitaram com uma maioria clara.

AP-Madeira fica a perder

Quem fica a perder com a não alteração dos estatutos?
Do meu ponto de vista é a AP-Madeira e a qualidade da promoção do destino Madeira.
Porquê?Porque penso que a responsabilidade partilhada em toda a promoção do destino, objectivo principal da alteração proposta, era benéfica.
Mas é o meu ponto de vista já que, com certeza, esta opinião não é partilhada pela maioria dos associados que estiveram presentes na Assembleia Geral [de quinta-feira última] e votaram contra a alteração estatutária

Ficaram com medo

Como se explica que o sector reclamava uma única entidade a promover o destino e agora, tendo essa possibilidade, com abertura do Governo Regional nesse sentido não tenha aproveitado?Pelo sentimento da Assembleia Geral penso que se ficou com medo que a AP-Madeira passasse a ser um instrumento do Governo Regional e dos grandes grupos económicos da Madeira.
Eu, como referi na Assembleia Geral, e reafirmo-o, não percebo como se pode inferir isso da alteração que era proposta, porque o sector público começava a partilhar uma competência que é exclusivamente sua e se assegurava 80% dos votos (20% ACIF e 60% associados) na Assembleia Geral e uma maioria clara de 9 ou 10 em 14 lugares no Conselho Consultivo para o sector privado.
Mas esta mensagem não passou. E o que passou foi o medo da perda de poder na Assembleia Geral por parte dos associados individuais.

Madeira perde eficácia
A Madeira fica a perder com esta promoção “bicéfala”?
Não sei se se poderá dizer que fica a perder porque se mantem o que existe. Mas posso afirmar que, do meu ponto de vista, que reafirmo, se provou ser claramente minoritário, a Madeira deixa de ganhar mais eficácia e eficiência ao nível da sua promoção porque considero que a responsabilidade partilhada entre o sector público e o privado em todo o processo é vantajoso
A questão do Conselho Consultivo e a alteração do modelo de votos terão pesado no resultado?Pesaram, com certeza, porque não vejo outras razões para a rejeição da proposta de alteração que não essas.

O modelo dos Açores
Os sócios não compreenderam o que se poderá entender com justiça no caso dos sócios fundadores: ACIF e Governo Regional de passarem a ter 20% dos votos em Assembleia Geral?É. Repare. Nos Açores, em 80 associados, os três sócios fundadores têm 20 votos cada. Governo Regional, Sata e Câmara de Comércio têm 60 votos num total de 140 votos e destes 60, 40 são do sector público (a Sata tem um único accionista que é o Governo Regional).
Ou seja representam 42% do total máximo de votos e basta faltarem 20 de associados (25% do total dos associados) à Assembleia Geral e a maioria entre os três está assegurada.
O que não acontece na AP Madeira...
... no modelo da Madeira, os fundadores só teriam 40% dos votos. Mesmo que estivessem em Assembleia Geral poucos associados. Assembleia Geral de maior participação foi esta última onde estiveram representados 57 associados que representam menos de 60% do total.
Ou seja, é um modelo muito mais democrático. Para além de se assegurar que nos 40% dos fundadores metade é privado.
Tentei explicar isto em Assembleia Geral mas não consegui ser compreendido.

Não vou tentar mais

O facto do Conselho Consultivo ter, à luz dos actuais estatutos, parecer vinculativo, cria obstáculos ao normal desenvolvimento.
O carácter vinculativo do parecer é, na minha opinião, uma falsa questão.
Em quatro anos de conselhos consultivos de 11 membros apenas houve um voto contra as propostas apresentadas pelo que a prática mostra que isto não é uma questão pelo que também não é um obstáculo a nada.
E agora? Admite que possa haver nova tentativa de alterar os estatutos dentro de algum tempo, ou existem prazos que impeçam que o possam fazer?Não sei. Da minha parte não haverá mais nenhuma tentativa, apesar de estatutariamente nada o impedir. Mas o futuro a Deus pertence...

ACIF não deve deixar o seu papel

A ACIF vai continuar empenhada na AP-Madeira?
Penso que sim, é um dos sócios fundadores. E não me parece que deva deixar o papel de representante do sector privado a ninguém. Mas deve fazê-lo através de outros protogonistas que transmitam melhor e de forma mais alinhada o sentimento dos associados.
No seu caso pessoal, que esteve directamente empenhado neste projecto de alteração dos estatutos, irá continuar como vice-presidente da ACIF-CCIM e como presidente do sector do Turismo da associação ou sente-se incompreendido, assim como a demais direcção, e vai-se embora?Do meu ponto de vista, não é a ACIF no seu todo que está em causa. Concordo, no entanto, que está em causa o membro da direcção da ACIF que tinha a responsabilidade em exclusivo dos assuntos da AP-Madeira, que no caso sou eu.
Só vim para a direcção para esta tarefa e não tenho nenhuma outra responsabilidade ou pelouro atribuído na direcção.
As posições que defendi e sobre as quais trabalhei arduamente foram total e inequivocamente rejeitadas, pelo que é necessário que tire ilacções sobre isso.
Não posso assobiar para o lado, e fazer de conta que nada se passou, nem agarrar-me ao lugar e começar a defender o contrário do que andei a fazer nos últimos meses.
Mas as ilacções tirá-las-ei em primeiro lugar, e, sobretudo, com os meus colegas de direcção que tiveram a gentileza de me cooptar para esta tarefa que infelizmente não consegui levar a bom porto. Sobre a incompreensão deixe-me dizer que é um sentimento que não se tem quando se tem a consciência tranquila por se pensar ter feito o que se devia fazer e se aceita democraticamente a forma de funcionamento das instituições e humildemente que existem outros que podem estar a ver melhor do que nós.

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