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Conceição Estudante: Caminhamos para a excelência

Somos considerados um destino de qualidade. Mas existem alguns itens a limar para que em lugar das palavras sejamos, realmente, um destino de excelência. Concorda?
Conceição Estudante — Concordo com a ideia. A questão da excelência é dinâmica. É um conjunto de actos e de intervenções que têm de ser continuamente executados. Não é um momento no tempo. O processo de qualidade tende para a excelência, sendo esta aquilo que é definido como mais utópico em relação à realidade.Neste sentido, mesmo no caminho da qualidade, ainda estamos aquém do que são os patamares mais elevados em determinados níveis e questões, tendo em linha de conta que existe o óptimo e o que é possível.

Mas como vê a Madeira? Somos, realmente um destino de qualidade?
A Madeira é, sem dúvida nenhuma, um destino de qualidade. Isso está fora de questão. Tenho a consciência disso. Entre outras variantes, tenho esse retorno internacinalmente dos clientes e dos operadores. Somos um destino de qualidade, sobretudo quando comparados com outros destinos.Agora se somos um destino de excelência, é evidente que não somos. Por isso é que adoptamos a postura de aceitar que é um processo contínuo de actos de todos. Porque a Madeira é um destino pequeno onde qualquer autor é importante, como seja o recepcionista do hotel, o transferista do aeroporto ou um empregado de uma loja ou de um restaurante.

O facto de colocar no logo do turismo “A excelência como destino” pretende dar o mote para que o sector seja um desígnio na região autónoma?
Primeiro que tudo representa o assumir da dinâmica de um processo de qualidade. E, por outro lado, que há uma motivação e o testemunho do nosso empenho para que esse processo aconteça.

A Festa da Flor tem o condão de encher os hotéis. Considera mais bem aplicados investimentos em eventos como estes, que atraem por si turistas e alegram os residentes, ou antes há que também apoiar financeiramente operadores turísticos e companhias de aviação para trazer clientes para os hotéis da região autónoma?
Não se pode fazer uma coisa ou outra. Temos de realizar as duas. Há é que criar algum equilíbrio para utilizar da forma mais adequada os recursos disponíveis.

Se o destino se valorizasse e diferenciasse por si não seria suficiente para o tornar apetecível ao ponto de dispensar os gastos com os operadores para trazerem clientes?
Existem factores que controlamos, como sejam os da valorização do destino. Mas há conjunturas internacionais no negócio turístico que ultrapassam a nossa capacidade interventiva directa. E temos de perceber o contexto onde actuamos para não ficarmos fora quando a concorrência tem atitudes pró-activas relativamente aos operadores.

Que comentário faz a “chantagens” como a do operador italiano que quer mais do que o acordado para continuar a trazer turistas para o Porto Santo?
Não chamaria chantagens...
... pressões...
... diria que é uma pressão para tentar conseguir uma maior comparticipação das entidades. É óbvio que temos de saber gerir muito bem e criar padrões de intervenção importantes para a orientação geral do que será o nosso comportamento e também para que os operadores sintam qual é a estratégia que nos propomos desenvolver. Os operadores também sabem que não estão sozinhos. Têm concorrência que pode surgir quando um se afasta.

Qual o seu posicionamento acerca de apoios aos operadores?
O que penso em relação aos operadores, sejam aéreos ou turísticos, é que as entidades e os parceiros privados devem sustentar inicialmente o arranque de operações novas, para servir de alavanca e de sustentação. Mas estamos num mundo de negócios onde cada projecto tem de criar a sua própria viabilidade, tem de criar asas e voar.

Como está o caso concreto do operador italiano no Porto Santo?
Não me posso referir em detalhe. Mas posso-lhe dizer que o pedido feito é perfeitamente exorbitante e não vamos dar esse tipo de apoio. Agora temos um programa de apoios previstos, que não é feito à medida que surgem os pedidos dos operadores. Há uma estratégia de intervenção para os diferentes mercados com priorizações, onde se enquadra o mercado italiano.Se o operador quiser continuar ficamos satisfeitos, até porque quando se refere que a operação não está a ter sucesso porque tem 70% de taxa de ocupação, permiti-mo-nos duvidar dos fundamentos, porque é um nível muito bom em qualquer negócio.

Poderá haver alguma mudança de estratégia no sentido de desenvolver mais acções de promoção junto do consumidor final?
Esse é sempre o nosso principal objectivo. Mas é difícil porque é muito cara. Não deixa de ser um objectivo mas temos a consciência dos custos e das limitações por sermos uma ilha dependente do transporte aéreo, que é uma componente relevante no processo de decisão.Mas não deixamos de chegar aos consumidor final. Não através de grandes campanhas de publicidade, mas através de muitas visitas de jornalistas da especialidade, que resultam em centenas e mesmo milhares de trabalhos em televisões, revistas e jornais.

Como vão responder a esta questão da British Airways?
Através da Associação de Promoção da Madeira vamos tomar a atitude dentro do apoio que tem de ser sensivelmente equivalente para todos os operadores.

O fundo de novas rotas não abrange...
... só abrange novas rotas. E a British Airways já operava para a Madeira há muitos anos.A fazer-se alguma coisa será no âmbito de uma campanha de publicidade no Reino Unido e não com fundos de apoio a novas rotas.

Como está a questão do transporte aéreo entre a Madeira e o continente?
Está a seguir os trâmites normais. Não disponho de informação acerca de datas.

E companhias interessadas?
Existem algumas aproximações...

... TAP, Sata, e easyJet já assumiram o seu interesse.
Estamos a falar dessas três, o que, para um mercado como o nosso seria bom. O que é importante é haver sempre alternativa.

Festa da Flor, Festival do Atlântico, Festa do Vinho e Fim-do-ano são cartazes conhecidos, que, por si, atraem já turismo. Prevê o lançamento de outras festas que possam trazer mais turistas nos períodos mais críticos?
Para este ano não vamos fazer lançamento nenhum. Isso depende muito das disponibilidades financeiras, porque cada um destes eventos envolvem custos bastante elevados.

Não tem um desejo de um novo evento?
Posso-lhe dizer que estamos muito empenhados em fazer um Festival Colombo com conteúdo mais enriquecido para o Porto Santo.Em relação à Madeira, para já, não.

O programa de passeios a pé, lançados este ano, em Janeiro, são para continuar?
É de continuar, tal como o de orientação. Até porque não faz sentido criar um evento destes num ano para o retirar no ano seguinte. Há que ter alguma continuidade para ter divulgação e estamos convictos que estes dois têm capacidade de crescer. Antes de cinco anos não se pode avaliar, embora o fim de três já temos uma ideia.

Falou do festival no Porto Santo. A ilha sempre vai receber em 2009 o Congresso da APAVT?
É um desejo. Mas é preciso ter em linha de conta que o grande sucesso de um congresso com incentivo é a sua riqueza e diversidade. Neste momento, considero que é melhor esperar para ver. Agora, a Madeira tem condições excelentes para acolher mais um congresso da APAVT, quando assim o entender e quando concertarmos esse projecto, mas no Porto Santo penso que será mais numa fase de amadurecimento da ilha com as novas infra-estruturas.

Como a questão da AP Madeira, depois dos contra-tempos?
Tenho esta semana uma reunião com a ACIF para tratarmos das questões que se levantaram na AP Madeira. Tudo vai ser resolvido e a associação vai continuar a desempenhar o seu papel.

O que espera do mercado emissor este ano?
Os indicadores que dispomos são muito favoráveis. Estamos à vontade até o Verão que já está contratado e vendido.Mas vivemos num mundo com muita contingência. Contudo, o nosso cliente, que queremos continuar a cultivar, não é muito afectado pelas crises económicas. Resumindo, julgamos que será um bom ano para o turismo.

Como está a questão das excursões e autocarros? Tem encontrado compreensão dos empresários?
Estamos a avançar com o processo. Um dos grandes pontos de dificuldades acontece nos principais miradouros, como o do Cabo Girão, cujas obras já estão adjudicadas. Já foi feito o levantamento da frequência do número de excursões e estamos a trabalhar em conjunto com a secretaria do Equipamento Social o desenvolvimento dos trabalhos para vermos se há necessidade, ou não, de um parque de segunda linha.

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