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Há excesso de taxas no bilhete de avião

(foto Paulo Camacho)
Há um excesso de taxas na compra de um bilhete de avião quando devíamos caminhar para um preço único do transporte aéreo que os incorporasse. Quem o disse foi Vítor Filipe, agente de viagens e ex-presidente da APAVT, ao intervir no quinto e último painel do 33º Congresso anual da associação que decorreu em Búzios, no Brasil.

por Paulo Camacho

Neste painel, Frank Wagner, da Rena, que representa companhias de aviação em Portugal como a Lufthansa, disse não ser fácil traduzir taxas como a de combustível, no preço final do bilhete de avião pelo facto de ser uma realidade que a companhia não consegue controlar. Além de que, por exemplo, uma venda, hoje, para uma viagem de avião para daqui a quatro meses, a transportadora não sabe que oscilações terá o petróleo e, a haver subida, teria de suportar esse agravamento.

Da parte dos agentes de viagens, a ideia que está subjacente a este desejo prende-se com o aumento do valor da comissão, que seria pago pela totalidade do bilhete.

Mas, neste painel, falou-se muito do tripé. Tripé que os agentes de viagens, pelo que ouvimos de Vítor Filipe, está de pedra e cal. Um tripé que, entenda-se, assenta nas companhias aéreas, nos GDS (centrais que dispõem de toda a informação para reservas e emissão de bilhetes ou vouchers das transportadoras, das rent-a-car e dos hotéis, ao serviço dos agentes de viagens) e nos próprios agentes de viagens.

E em matéria de comissões às agências de viagens, Vítor Filipe recordou que companhias internacionais, que, como disse, se julgam as donas do mundo, por não cumprirem o estipulado, têm hoje processos em tribunal, sendo que a Ibéria já foi condenada a pagar. Seguem-se os processos a companhias como a Lufthansa e a British Airways.

Pela parte da TAP, em matéria de incorporação de todos os valores na taxas no bilhete, disse que partilha integralmente do disse Frank Wagner.
Quanto ao relacionamento com os agentes de viagens, Dionísio Barum, director-geral da transportadora nacional, disse que tudo se mantém num clima de cordialidade. Não obstante, e à luz do acordo estabelecido com a APAVT, evidenciou que acompanhia terá de aompanhar o desenrolar de realidades como a do mercado espanhol, com a Ibéria. Tudo para que, eventualmente, proceda a reajustamentos, no sentido de evitar fenómenos semelhantes ao dos combustíveis, com fugas de clientes para Espanha. Reconheceu o potencial do canal agentes de viagens (que traduzem 85% das suas vendas) com quem a TAP estabeleceu um acordo de comissões há alguns anos. Por isso mesmo, realçou que as tarifas que a companhia apresenta na sua página web são iguaios às disponibilizadas aos agentes de viagens.

Curiosamente, Dionísio Barum avançou que o site da empresa representa 6% das vendas em Portugal. Um número bem diferente das do Reino Unido, onde 25% através deste canal.

Não obstante, este painel ficaria marcado pela questão dos GDS. Criados nos anos 60 precisamente pelas companhias de aviação para centralizar as suas ofertas, estão também elas a passar por transformações. E, depois de algumas vozes augurarem o seu fim, têm sabido adaptar-se e a procurar corresponder ao que dela esperam os parceiros do tripé.

Trata-se de um fenómeno que leva a companhias como as estrelas deste congresso, as low cost, já procurem os GDS como plataforma que as apoie junto das agências de viagens. Quanto às companhias de rede, tradicionais, a hora é de diálogo. Ou terá forçosamente de o ser já que transportadoras como a TAP deixou claro em Búzios que quer rever o contrato com o GDS Galileo para baixar custos.

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