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Agências de viagens são software do produto turístico

A menos de um mês da realização do Congresso nacional, o primeiro vice-presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo fala do que se espera do evento. Uma oportunidade para o madeirense João Welsh vincar bem que o agente/consultor de viagens é preponderante na valorização do produto turístico e na racionalização das despesas dos clientes.
Complementa, frisando que as agências de viagens são o software do processo turístico, facilitando o fluxo de turistas para os diversos destinos que se oferecem aos consumidores. «O agente de viagens é um garante da qualidade dos serviços, em quem os clientes depositam confiança, porque está sempre presente para assumir as responsabilidades pela venda do produto», reforça.


O tema deste congresso: “Turismo: O valor acrescentado da distribuição” surge como um alerta ao sector para a importância das agências de viagens na ponte com os clientes ou antes uma intenção de sensibilizar para a necessidade de estar sempre a reinventar o negócio? 
Diria que é um misto das duas. A nossa ideia é que a distribuição independente do produto turístico é fundamental para o desenvolvimento da actividade. E, por isso, de grande valor acrescentado não só para o cliente mas também para o os detentores do hardware: companhias aéreas, hotelaria, rent-a-car, etc. Esta postura, obriga, como é evidente, que as agências de viagens sejam empresas tecnologicamente desenvolvidas, com grandes inovações a nível de gestão, por forma a reforçar cada vez mais a sua importância na actividade turística.

Visão estratégica 

O que é que a APAVT quer que saia do Congresso dos Açores, além das conclusões e recomendações? 
O que esperamos é que seja, mais uma vez, o grande congresso do turismo em Portugal. E, que, acima de tudo, se encontrem novas ideias e uma visão para a estratégia do turismo no nosso país. Isto porque, para ter sucesso nesta actividade, há que ter uma estratégia clara para que nos possamos diferenciar e dar valor acrescentado aos nossos clientes.

Os painéis foram pensados com esses propósitos? 
Logo de início teremos painéis que vão abordar a estratégia para o turismo, ouvindo, desta vez, o contributo dos empresários. Alguns que até vêm de fora do sector. Vão dar as suas visões sobre o turismo em Portugal.
Ainda interligado com esta questão da estratégia para o turismo, vai ser abordada a vertente de Portugal como destino competitivo e todas as condições a que o país, como produto turístico, tem de dar atenção para ser sempre um produto de grande qualidade e que permita que o turismo se desenvolva, gerando cada vez mais receitas.
Depois há o painel que abordará o papel da distribuição online, um canal de distribuição que tem ganho evidência. Daí considerarmos de grande oportunidade mostrar internamente e para o exterior, tudo o que o agente de viagens tem feito neste domínio.
O público não sabe que grande parte das reservas online são feitas através de canais de agências de viagens.
Outra abordagem importante tem a ver com a mudança do modelo de negócio das agências de viagens, iniciado há já algum tempo.
Nesse âmbito, é importante ouvir o consumidor através de um painel específico.
A ideia é perceber melhor quais são as suas expectativas e as necessidades para que as agências possam desenvolver os seus modelos de negócio em consonância com os seus clientes.

Novidades na aviação

Outro painel oportuno será o da aviação. 
É. A aviação está em grandes mudanças no país, não só a nível das infra-estruturas aeroportuárias, como devido às movimentações a nível das companhias aéreas.
Neste sentido aguardamos que saiam novidades e indicadores de grande importância deste congresso sobre esta matéria.
A revisão da legislação do sector é uma questão há muito preconizada pelas agências de viagens, mas, apesar das intenções, continua por fazer? É admissível que o secretário de Estado do Turismo leve novidades na bagagem?
Não temos quaisquer dados sobre isso. Entendemos que se trata de uma matéria importante que já deveria estar cá fora. Queremos que surja uma legislação actual, que defina, claramente, qual o papel da agência de viagens e também de outros players do mercado, com o empresas de evento e de animação.

Clarificar 

Dê um exemplo de algo que urge mudar? 
Surgiram no mercado empresas de eventos, de animação e de congressos, que apesar de serem altamente concorrentes das agências de viagens não estão sujeitas aos mesmos estrangulamentos legais e fiscais com os que estas de confrontam.
A regulamentação, embora adaptada à nova realidade, é fundamental por forma a que não hajam situações menos claras que em nada venha contribuir para o desenvolvimento do turismo em termos de qualidade.

A questão de vendas de produtos por empresas, à primeira vista, da área das agências de viagens, exige também essa tal preocupação? 
Não propriamente com viagens de avião, mas, por exemplo, a venda de excursões, de aluguer de veículos e outros serviços conexos. Isso, muitas vezes, tem mais a ver com a falta de fiscalização do que com a legislação.
Sobre esta matéria, a nível da região autónoma, tem havido uma vontade maior em termos do rigor e da fiscalização. A fiscalização tem de existir. Quando são detectadas empresas ilegais há que actuar e fechar a organização. Não se pode dar um prazo para que se licencie. Se uma entidade que quer fazer tudo correctamente, tem de preparar um dossier e aguardar aprovação, não podemos aceitar prazos para quem está a infringir as regras.

A nível legislativo a Madeira tem os mesmos contratempos que o resto do País? 
Basicamente sofre dos mesmos problemas do país. Não obstante há que fazer adaptações de pormenor para ajustá-la às particularidades da Região.

Agente é preponderante 

Até que ponto as agências de viagens são um elo vital de uma correia no sector? 
O agente/consultor de viagens é preponderante na valorização do produto turístico e na racionalização das despesas dos clientes. É quem aconselham o cliente, que tem capacidade indutora dos destinos. Por isso, é fundamental e incontornável. Acresce que, pela racionalização que imprimiram, as agências de viagens são um canal eficaz e económico de distribuição do produto turístico.
As agências de viagens são por isso o software do processo turístico, facilitando o fluxo de turistas para os diversos destinos que se oferecem aos consumidores.
Por último, o agente de viagens é um garante da qualidade dos serviços, em quem os clientes depositam confiança, porque está sempre presente para assumir as responsabilidades pela venda do produto, ou seja, a sua imparcialidade em face dos fornecedores leva-o a ser completamente "customer driven".

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Apesar do Congresso Açores não tiram turistas à Madeira 

Como madeirense, tendo em linha de conta o crescimento de 10% no fluxo turístico que cada congresso contribui no ano seguinte à sua realização, não teme que os Açores absorvam uma parte do turismo nacional que poderá deixar de vir à Madeira? 
Não acredito. O mercado nacional tem reagido muito bem às campanhas que a Madeira tem feito.
Tenho a noção clara que o trabalho feito no último ano tem sido mais eficaz a nível da promoção. Os números estão à vista. Este ano voltamos a ter um crescimento em relação ao ano anterior.
É preciso perceber que a Madeira, como destino turístico, é um destino muito diferente dos Açores. Além disso, tem uma proximidade maior a Lisboa e ao Porto. É mais uma vantagem competitiva ao que também não é alheia a própria qualidade do parque hoteleiro.
Reconheço que os Açores, com certeza, irão ganhar mais turistas continentais, mas não à custa da Madeira.

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APAVT Form vai implementar programas específicos para o sector 


Qual a importância para a associação o projecto APAVT Form, a apresentar no Congresso dos Açores? 
Uma das áreas que temos sentido que os associados têm maiores necessidades prende-se com a formação. A nossa actividade exige grandes conhecimentos e forte preparação técnica.
Acresce que a legislação laboral veio, e bem, obrigar que todas as empresas dêem um mínimo de número de horas de formação aos seus quadros. Todos os anos.
Por este conjunto de razões, a APAVT chegou à conclusão que se justificava criar uma empresa só para essa área. Nesse sentido, desenvolvemos o projecto APAVT Form, que, apesar de ser uma empresa autónoma, é detida a 100% pela APAVT e, por isso, o seu veículo para esta área de crucial importância para os seus associados.

A APAVT Form terá programas especialmente idealizados para o sector... 
Sim. A APAVT Form vai dedicar-se a programas de formação, com conteúdos tratados à medida das necessidades dos agentes de viagens. Terá a grande vantagem de não ter conteúdos generalistas mas sim específicos para a sua realidade.

Quando começa a sua actividade? 
A nossa intenção é que o faça já em 2007. O "business plan" está concluído e estamos a trabalhar nos diferentes programas de formação.

Que imagem vai a APAVT apresentar nos Açores?
A actual imagem tem alguns anos. Queremos aproveitar a alteração no modelo de negócio nas agências de viagens para renovarmos a imagem da APAVT, que se adapte aos tempos actuais e que traduza melhor a dinâmica, a actividade e o trabalho da APAVT . Queremos ter uma imagem mais moderna.

por: Paulo Camacho

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